25 de dezembro de 2016

Roger Olson fala sobre Molinismo, Teísmo Aberto, Arminianismo e Calvinismo

Roger Olson, renomado teólogo arminiano, diz que o teísmo aberto é considerado heresia somente por questões políticas e que o molinismo é doutrinariamente inconciliável com o arminianismo, assim diz:

".. me parece irônico que alguns arminianos sejam molinistas e que o molinismo exista entre arminianos, mas o teísmo aberto que está mais perto do “coração” do arminianismo (o caráter de Deus é absolutamente bom) seja excluído."

Eu falei isso em um debate recente e fui alvo de zombaria, agora leio um texto em que Roger Olson, respeitado teólogo arminiano fala a mesma coisa que eu! kkkk Rindo nem sei de que da cara desse pessoal que sequer conhecem as implicações das crenças deles.

Eu tbm falei que o conhecimento médio era uma forma de calvinismo, não de arminianismo, mais uma vez fui zombado, mas veja o que Olson diz:

"Acho que na melhor das hipóteses isto é um corpo estranho dentro da tradição arminiana. Ele pertence ao calvinismo, em minha humilde opinião."


CONCLUSÃO

Olson finaliza colocando o molinismo no mesmo pé de igualdade do teísmo aberto - "Portanto, não discordância muito profunda entre arminianos evangélicos sobre muitas coisas. Por que excluir teístas abertos – especialmente se molinistas estão incluídos?"



REFERÊNCIAS

- http://personaret.blogspot.com.br/2013/04/o-teismo-aberto-e-um-tipo-de.html 

30 de novembro de 2016

Dr. Enéas Carneiro - opinião sobre aborto.




"É absolutamente destituído de qualquer fundamento o argumento de que, como já ouvi muitas vezes de pessoas absolutamente destituídas de preparo, o corpo é da mulher, ela tem o direito de decidir. Isso é absolutamente falso, isso é absolutamente mentiroso, isso é absolutamente cínico, chega a ser até algo próximo de eugenia, muito, muito, muito a favor de teses que ainda medram no espírito de muita gente, cuja tese ideal é que o mundo seja feito de pessoas perfeitas, que não haja deficientes físicos, que seja o nosso planeta constituído de uma população de arianos. Isso é uma beleza, para quem pensa assim.

E para os que falam em anencefalia, é bom que se lembre a esses senhores, alguns com diploma de médico, também, que, até o momento de nascer, aquela criatura está viva. Ela vai morrer, mas ninguém sabe exatamente o momento. E, dentre nós, quem sabe quando vai morrer? Quem tem a proterva veleidade de dizer que sabe quando vai desaparecer, se isso é absolutamente impossível, de maneira científica? E como médico, muitas vezes fui inquirido sobre isso: quando vou morrer? Resposta: ninguém sabe. Que direito tem um cidadão, porque é médico, de decretar a morte daquele ser? Nenhum.

O processo de permissão do aborto caminha junto com uma série de outras teses absolutamente destituídas de fundamento humanista, no sentido de que a população do nosso planeta seja constituída de seres privilegiados. Essa é que é a tese verdadeira! É assim que Malthus está renascendo. É verdade, o neomalthusionismo aí está, querendo que a sociedade seja feita de seres ideais. Agora, pergunto: ideais à imagem de quem? Quem é que tem coragem de dizer o que é o ideal? Será o ideal a tese expendida por Adolf Hitler? Será o ideal a tese de Mussolini? O que é o ideal? A miscigenação é um crime, nesses termos apenas.

E se a questão é preparo, eu o tenho; se a questão é diploma de médico, eu o tenho; se a questão é ensinar Medicina, faço isso há 30 anos. Sei exatamente o que estou dizendo."

- Dr. Enéas Carneiro.

26 de novembro de 2016

A vida humana tem sentido?

A vida como ela é. Uma análise simples e sincera da vida de qualquer homem nos levará a uma conclusão fatal e inerrante - A VIDA NÃO TEM SENTIDO. Talvez você tente relutar contra isso, mas essa é a verdade e vou te mostrar fazendo uma análise da vida do homem comum.

A vida é como uma roda gigante dentro de outra roda gigante maior ainda e por sua vez, está dentro de outro roda gigante ainda maior que as outras duas, onde a menor roda são os dias, as maiores são os anos e por fim a vida como um todo, se quisermos dividir em décadas seja quantos forem os períodos, basta aumentar mais o número de rodas dentro de outras rodas, trocando em miúdos, a vida é sempre a mesma coisa. Um homem acorda pela manhã, escova os dentes, se alimenta, vai ao trabalho (não necessariamente nessa ordem, mas pouco importa), depois de um dia matando um leão, volta para casa, tenta assistir um programa de TV ou sentar no sofá e ficar um tempo sem pensar em nada enquanto sua esposa tenta despejar os problemas que passou durante o dia para ele, assim dia após dia. Um pouco de alento ele encontra no fim de semana, onde faz as mesmas coisas, ir ao cinema, um churrasco com os amigos, um filme no Netflix (ou um aluguel na locadora, tanto faz, pouco importa), de forma que ele passa a semana se rachando e vivendo em função do fim de semana. Entrando na roda gigante maior, o homem vive em função das férias, festas de fim de ano e por fim, na maior roda, a aposentadoria, onde ele poderá realizar seu sonho, de ter um eterno fim de semana, férias e até mesmo "festas de fim de ano".

O homem nasce, cresce, se reproduz e morre, no meio desse tempo, ele estuda para trabalhar, trabalha para comer, e depois se aposenta para morrer, não há escolhas, não há caminho diferente, nós não pedimos para nascer, não pedimos para trabalhar e não pedimos por coisa alguma, nada disso é voluntário, a vida humana é apenas um campo de trabalhos forçados, cheios de problemas, dor e morte por todo canto, com breves momentos de felicidade que incrivelmente nos faz esquecer os momentos de dor, embora esses sejam muito maiores. O que eu disse não é uma modo de ver a vida, não é uma interpretação da vida, é a vida como ela é, é um fato, e ninguém sincero foge disso. A vida é como andar em um labirinto com as luzes apagadas, uma prisão que somente a morte é sua saída, vendo dessa forma, eu até consigo entender o porquê os quase mortos alegam vê uma luz - "não vá para luz", dizem aqueles que não querem que você morra, de modo sarcástico é claro. A morte parece ser um caminho viável quando o homem aceita e percebe de fato a merda em que ele se encontra, assim você morre por dentro, pois nada mais faz sentido, e sem sentido algum o suicídio parece ser coerente ao se perguntar - porque não o suicídio? Não seria isso uma saída do labirinto sem luz?

A conclusão acima é óbvia, se a vida não tem sentido, o homem está destruído, e não adianta vir com argumentos de que você tem que dá um sentido para sua vida, ou que esse é o motivo para viver mais ainda, porque não é! De fato, ninguém seria respeitado por tal blasfêmia, heresia ou como queira chamar, de que a única saída honrosa para um homem que entende de fato que a vida não tem sentido, é A MORTE! Assim cria-se todo tipo de desculpas escabrosas para essa questão. O suicídio é uma questão filosófica muito séria, talvez a mais séria que exista e uma vez que você aceita que a vida de fato não tem sentido, ela também perde o valor e a partir daí tudo vai embora, é só uma questão de deixar a covardia e fazer o que tem que fazer.

Quando se percebe isso, fica claro o que Jesus quis dizer quando falou: "Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" Jo 8.12  e quando também diz: "Eu sou a porta. Qualquer pessoa que entrar por mim será salva. Entrará e sairá e encontrará pastagem" Jo 110.9. Ninguém duvida que a vida do homem é escura e sem saída, e Jesus sabia disso, Jesus conhecia bem a natureza humana, no entanto, Jesus tinha uma resposta diferente ao que seria a saída para esse dilema, se Deus existir, considerando essa possibilidade, então a vida tem um sentido e um valor, haja vista que o homem não foi criado para ter esse destino ou esse tipo de vida em uma mera roda gigante em que tudo se repete, dia após dia. Então o homem tem duas saídas, a autodestruição, ou viver com Deus e para Deus, pois sem Deus o homem não significa absolutamente nada, quando se diz que o homem sem Deus nada é, parece ser um frase clichê, mas tem um significado muito profundo, pois em Deus o homem pode encontrar não só um sentido para a vida, mas O sentido da vida, pois se Deus existir de fato, então a vida tem um sentido e tem um valor de fato, não um sentido e um valor ilusório. Não sem razão o apóstolo Paulo diz: "quanto estávamos mortos em consequência de nossos pecados (ou em consequência do nosso afastamento de Deus), deu-nos a vida juntamente com Cristo" Ef 2.5.

Há assim, uma necessidade de um mundo vidouro, onde as necessidades humanas sejam saciadas, onde o ser humano seja completo, se assim não for, de onde vem essa vontade de ser completo, se a nossa realidade é tudo que existe? Se a nossa realidade é cheia de dor, sofrimento, amarguras e tudo mais, e nós somos apenas parte dessa realidade, qual o padrão, comparado a que nós dizemos que a a vida é ruim? De onde vem esse vazio que nada nesse mundo pode completar? Se é um fato que não encontraremos nesse mundo o que nos completa, é certo que esse algo não pertence a ele, obviamente não pertence a esse mundo. Desse modo você pode escolher entre estar condenado a auto-destruição e morte ou viver uma vida com sentido e valor em Deus, por isso mesmo o apóstolo Paulo fala: "Nenhuma condenação há, para os que estão em Cristo Jesus" Rm 8.1.

Raul Seixas, em sua música Ouro de Tolo, descreve isso com uma riqueza muito grande, a música descreve um homem que conquistou tudo que quis nesse mundo, mas ainda assim, está decepcionado, acha tudo chato e que se recusa a aceitar que a vida seja somente isso, a conclusão óbvia de um homem inteligente, a saber, de que homem algum se sentirá pleno com as coisas desse mundo, se algo puder preencher o vazio do homem, esse algo não pode estar aqui, mas em outro lugar.

A experiência de vários homens confirma o que foi apresentado acima. É do conhecimento de todos que Lutero tinha uma vida atribulada e procurava, desesperado, por um sentido à sua vida, ciente de  que vivia no labirinto de trevas da vida humana sem Deus, ele diz:

"Noite e dia eu ponderava, até que via a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que 'o justo viverá pela sua fé'. Então, entendi que a justiça de Deus é a retidão pela qual a graça e a absoluta misericórdia de Deus nos justificam pela fé. Em razão desta descoberta, senti que renascera e entrara pelas portas abertas do paraíso." (1)

Como foi a experiência de Lutero, assim também foi e é a experiência de diversos homens, note a nomenclatura usada como "renascer" ou "entrar pelas portas", palavras essas usadas para descrever o sentimento de um homem que sentiu ter saído do labirinto da vida sem sentido, para uma com um verdadeiro sentido, através de uma descoberta fenomenal, a de que a vida tem sentido em Deus, mas nela mesma, a única solução viável é a morte.


Por Francisco Tourinho

19 de novembro de 2016

Porque o cristão deve ser contra a pena de morte - Uma justificativa teológica.

Acredito que não é razoável para o cristão ser a favor da pena de morte, apesar de que a pena capital tenha sido estabelecida no Antigo Testamento, acredito que é o tipo de lei que era permitida por Deus, mas que não era da vontade Dele, como era o caso do divórcio, que era permitido, mas não era da vontade de Deus, ou seja, nem toda lei era da vontade de Deus, mas foi permitida principalmente por causa da dureza de coração do homem. Vou tentar resumir o porquê dessa minha posição:

1- Jesus salvou uma mulher da pena de morte, quando claramente ela devia ser condenada pela lei, se a pena de morte fosse tão justa, porque Jesus censurou os juízes daquela mulher? Foi Jesus contra a justiça?

2- O único caso de pena de morte em que se houve justiça no NT, foi o caso de Ananias e Safira, e curiosamente foram julgados por Deus, não pelos homens, parece que Deus deixou claro que somente a ele pertence a vida de qualquer homem e que somente Ele é o justo juiz!

3- Pecados de todos os tipos continuaram a existir no NT e em nenhum caso vemos os apóstolos aplicarem pena capital, mesmo no caso da igreja de Corinto, em que o filho estava adulterando com a esposa do próprio pai, Paulo em hora alguma sequer insinuou um julgamento de morte para os dois, coisa que no AT daria morte na certa, isso mostra um rompimento com uma tradição anterior, e que foi retomada na Idade Média com a Inquisição.

4- Tanto Jesus, como os apóstolos, foram condenados à pena de morte, todos, sem exceção, foram condenados de forma injusta! Veja que todos os casos, em que os homens julgaram outros homens à morte, no NT, julgaram de forma injusta! Será que isso te mostra alguma coisa? A mim mostra, não sei se seria sensato continuar com um tipo de prática e levou tanto Jesus como seus santos apóstolos à morte.

5 - Ser a favor da pena de morte é uma auto-condenação. A pena de morte não é uma questão de justiça. Se Deus fosse a favor da pena de morte, Jesus jamais teria morrido em meu lugar, pois eu deveria, se a justiça fosse feita, ser condenado a morte, mas Deus me livrou da morte. Dessa forma, em favor da coerência, negue o sacrifício de Cristo e assuma a justiça para si mesmo, abraçando a morte que lhe é devida.


Por Tourinho

15 de novembro de 2016

Argumento Cosmológico - Respondendo à Falácia de Falsa Equivalência

Recebi esse comentário de um ouvinte do meu canal no youtube, como o rapaz foi muito educado, fiz questão de respondê-lo, tanto em vídeo, como em texto publicado aqui no Blog. A objeção dele, nesse texto, estará em vermelho e as minhas respostas em preto. O nome dele é Marcel Morais e desde já o agradeço pela contribuição para o conhecimento através de debates salutares.

“Desculpe Tourinho, mas este argumento lógico já foi demonstrado incorreto de tantas maneiras diferentes que já até perdi a conta.”

- Eu não conheço nenhum bom argumento contra o argumento cosmológico. E os apresentados aqui também não são.


“Quer fazer apologia ao cristianismo ou ao teísmo? Por favor, se informe melhor a respeito das contra-argumentações dos seus oponentes e não as represente erroneamente.”

- Já me informei, mas acredito que o amigo não tenha se informado sobre as respostas à essas objeções.


“(1.o problema) O argumento cosmológico se inicia com uma falácia de falsa equivalência.
Ao comparar todos os demais objetos e seres do universo vindo a "existir" com a própria existência do universo.”

- Me parece que você quis dizer aqui que, não é porque as coisas dentro do universo têm uma causa, que o universo como um todo precise de uma causa. Arthur Schopenhauer, filósofo ateu do século XIX, já denunciava esse tipo de falácia argumentativa, que ficou apelidada de falácia do táxi, uma premissa não pode ser dispensada com um aceno de mão, como se dispensa um táxi depois que se chega ao destino desejado! Não se pode dizer que tudo que começa a existir tem uma causa para existir e, de repente, tirar o Universo fora disso. Seria uma atitude arbitrária da parte do ateu se ele alegasse que o universo é uma exceção à regra.

Suponhamos que você encontre uma bola em um campo de futebol, e seu filho perguntasse qual a causa daquela bola, e você respondesse a causa, depois ele pergunta a causa de um helicóptero, depois de um navio, depois do planeta Terra, depois do Sistema Solar, Galáxias, Nebulosas, ou seja, não interessa o tamanho, mesmo que o objeto seja do tamanho do próprio Universo, ainda assim ele terá uma causa, pois não é o tamanho do objeto que define se ele tem causa ou não, ou seja, o simples fato de aumentar o tamanho do objeto a ser explicado, mesmo que ele chegue ao tamanho do universo inteiro, não anula a necessidade de haver alguma explicação para a sua existência.

É a lei da causalidade, que é o princípio fundamental da ciência. Sem a lei da causalidade, é impossível haver ciência. De fato, Francis Bacon (o pai da ciência moderna) disse: "O verdadeiro conhecimento só é conhecimento pela causa”. Em outras palavras, a ciência era uma busca pelas causas. É isto que os cientistas fazem: tentam descobrir o que causou o quê. Esse tipo de atitude mutilaria a ciência. A cosmologia tá aí, pra estudar o que causou o universo.  


"tudo que começa a existir tem uma causa" - e quais são as coisas comparadas empiricamente para dar validade à esta intuição? Todas estas comparações são coisas que não "começaram a existir" mas são rearranjos de matéria e energia em formas diferentes, como o fazer uma mesa, ou o crescer de uma planta.”

- Você quer dizer que o computador que estou usando, a mesa no qual ele está apoiado, a cadeira que estou sentado já existia antes de existir? É isso? A matéria era que existia antes desse objeto existir, mas isso só significa dizer que existe uma causa material para esse objeto, não significa dizer que o próprio computador já existia, ontologicamente ele não existia, portanto, tanto o computador como o universo, começaram a existir a um ponto finito atrás, derrubando o argumento da falsa equivalência, a diferença entre um e outro, é o tipo de causa que cada um tem. Um computador tem uma causa material e tem uma causa inteligente, pois alguém precisou organizar a matéria de forma a dar a origem ao computador, já para o Universo, nós não temos causa material, temos somente causa inteligente! E é justamente por isso que afirmamos que a causa é imaterial, pois a causa do universo não pode ser material. A diferença está no tipo de causa somente, isso não é uma falácia de falsa equivalência, pelo contrário, os dois possuem causas, porém causas diferentes, mas quem disse que as coisas existentes precisam ter o mesmo tipo de causa? Se não admitirmos uma causa para o universo, temos que o Universo veio do Nada, para o Nada e por Nada, o que seria comparado a mágica, o argumento cosmológico se torna assim, a melhor hipótese, a melhor explicação para o surgimento do Universo.


(2o problema)
"o universo tem uma causa inicial" - esta conclusão é verdadeira, porém não é uma conclusão válida devido às premissas anteriores. Ela é válida pelas observações cosmológicas, estudos astronômicos e equações matemáticas que demonstram não só esta conclusão, mas igualmente a idade aproximada do universo que não é aceita por grande parte dos religiosos, mas não todos (que é uma grande contradição especialmente as religiões de matiz judaico-cristã).”

Dado a explicação anterior, que a conclusão de que o universo tem uma causa é tanto pelas premissas, como pelos argumentos científicos. A afirmação sobre os religiosos é apenas um espantalho, não representa a realidade.


Porém, vc começa falando de algo que é o terceiro problema:
(3o problema)
"Esta causa precisa ser: atemporal, não espacial, pessoal, etc, etc => causa deus."
Os problemas deste tipo de conclusão são vários, mas o mais importante deles é o uso de uma falácia de "defesa especial" (não sei o nome exato em português).
“Mesmo que assumirmos a necessidade de uma causa inicial para evitar uma regressão infinita isto não impede que o universo em um estado pré-existente ao tempo, e portanto atemporal de cumprir o papel desta causa.”

- Impede sim, porque você teria que assumir que o universo existiu antes de existir! É como dizer que o ovo trouxe a galinha à existência e a galinha trouxe o ovo à existência, é auto-contraditório. Não existe um estado de pré-existência ao tempo no universo porque o tempo e o universo começaram a existir simultaneamente, não existe universo sem tempo, a expressão “universo em um estado pré-existente ao tempo” é uma contradição em si, mas concordo com você que a causa tem que ser atemporal.

“Não há nenhuma razão para aplicar exclusivamente esta propriedade a um ser pessoal e inteligente. Primeiro que a conclusão de que é um ser pessoal e inteligente não segue das premissas, desta forma seus proponentes seguem enumerando características até chegar a Deus por outra falácia (Declive escorregadio). Segundo, dado que para operar dentro do argumento somente seria necessário estar fora da série, somente a característica de atemporalidade seria necessária. Se assumirmos que esta característica pode ser aplicada a um ser qualquer, não há razão pela qual ela não possa ser aplicada a uma existência sem inteligência e agencia pessoal. Se ela não pode ser aplicada a um ser qualquer, são necessárias razões para serem analisadas, do contrário é somente uma falácia de "defesa especial" (special pleading).”

- A conclusão de um ser pessoal e inteligente segue sim das premissas. Uma causa impessoal nunca poderia existir sem seu efeito. Se as condições imutáveis e impessoais para um efeito estão atemporalmente presentes, então seu efeito deve ser atemporalmente presente também, por exemplo, a causa para o congelamento da água é a temperatura estar abaixo de 0 C°, se a temperatura estivesse abaixo de zero desde a eternidade, então qualquer água ao redor estaria congelada desde a eternidade, seria impossível para a água começar a congelar há um tempo finito atrás, a única maneira de uma causa atemporal e do efeito começar há um tempo finito atrás, é a causa ser um agente pessoal, que livremente escolhe criar um novo efeito sem nenhuma condição determinante anterior, por exemplo, um homem eternamente sentado poderia livremente querer ficar de pé, e assim, ele teria um novo efeito surgindo de uma causa eterna, e assim, chegamos não meramente a uma causa transcendental do universo, mas no Seu Criador pessoal.
Se uma causa é suficiente ou agente, para produzir um efeito, no caso quando a causa está presente, o efeito deve estar presente também, por exemplo, a causa do congelamento da água é a temperatura da água abaixo de 0 graus centígrados, se a temperatura tivesse abaixo de 0 graus desde a eternidade então toda a água que estivesse por aí, estaria congelada desde a eternidade, seria impossível a água começar a congelar a um tempo finito atrás, se a causa está presente, então o efeito está presente também.
Agora, a causa do universo é eterna, não começou a existir, nesse caso se a causa fosse suficiente ou agente, o Universo seria sem começo também, pois existiria necessariamente como efeito da causa, logo se o Universo veio a existir, então somente uma causa que existisse independente do seu efeito seria possível (causa eficiente), nesse caso ela deve ser pessoal, que tenha vontade livre, pois somente assim poderia ter criado sem uma condição prévia, pois de uma causa eficiente pode surgir algo espontâneo e novo.

“E ainda há muitos outros problemas que não citei, como deus ser indefinido em termos lógicos e racionais (características contraditórias), ser uma causa que não explica o processo (diferente de teorias cosmológicas e do próprio argumento que se assenta em empiricismo, lógica e elucidação), etc, etc.”

Quanto a isso vou ficar esperando novas objeções, mas essas não são objeções a quem compreende de fato o argumento.


Obrigado Marcel!

8 de novembro de 2016

TRANSUBSTANCIAÇÃO: Uma análise crítica ao texto do site Veritatis Splendor sobre o Cap 6 do Evangelho de João



INTRODUÇÃO

 O presente texto, tem como objetivo fazer uma análise crítica da opinião emitida por esse site(1), somente no tocante ao capítulo 6 do Evangelho de São João, não se atendo à patrística. No texto do site, é apresentado o argumento de que quando Jesus fala: "Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.", o fato de os judeus terem entendido que Jesus literalmente era o pão e o vinho e Jesus não tê-los corrigido, era porque esse era o verdadeiro ensino de Jesus, o de que Ele se transformava literalmente em pão e vinho para que os seus servos pudessem comer o seu corpo de forma literal, com carne, nervos, músculos, cérebro, resumindo, em toda a sua humanidade. Eles alegam que o fato dos judeus terem relutado a acreditar nisso e de Jesus ter repetido a mesma frase de antes, prova que Jesus, ao dizer aquilo, acreditava que literalmente seu corpo e seu sangue seria dado como alimento para os seus servos, em outras palavras, que a própria carne e sangue de Cristo é comida literalmente pelos cristãos. Mas será que essa explicação resiste a uma análise criteriosa das Escrituras?

1 - O texto analisado está presente  presente no link: http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/joao-6-a-eucaristia-e-os-protestantes/ , sugiro que leiam a explicação deles direto na fonte.

O texto discutido é de João 6. 31-58, transcrito abaixo:

“Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer.
Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.
Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.
Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.
Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.
Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.
Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu;
e perguntavam: Não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu?
Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.
Não que alguém tenha visto o Pai, senão aquele que é vindo de Deus; só ele tem visto o Pai.
Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna.
Eu sou o pão da vida.
Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.
Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.
Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer?
Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.
Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.”
João 6:31-58


DISCUSSÃO

Assim como não existem versículos isolados da bíblia, não existe também um capítulo isolado na Bíblia, tudo deve ser entendido como um todo, não em partes. O primeiro ponto é que era comum Jesus ou deixar os incrédulos no erro, ou simplesmente deixá-los sem entender nada, pois as verdades mais elevadas eram ensinadas somente aos mais próximos. Essa afirmação pode gerar incômodo, mas a própria enciclopédia católica diz: "É manifesto a partir das narrativas dos Evangelistas que Cristo só fez a grande verdade conhecida aos Doze passo a passo" 

Vejam só o texto:  “Os discípulos aproximaram-se dele e perguntaram: ‘Por que falas ao povo por parábolas?’ Ele respondeu: ‘A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas A ELES NÃO. A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Neles se cumpre a profecia de Isaías: ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão; ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão. Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração e converter-se, e eu os curaria’. Mas, felizes são os olhos de vocês, porque vêem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem” (Mateus 13:10-17).

O texto citado acima mostra claramente, que as verdades mais elevadas dos ensinos de Jesus, eram dadas apenas aos Seus discípulos quando estavam sozinhos com Ele, ou para aqueles que O procuravam sozinho (Jesus ensina a Nicodemus quando esse o procura no meio da noite, longe das multidões, Jo 3), assim Jesus discernia quem realmente tinha um interesse real na mensagem, daqueles que queriam apenas debater para colocá-lo em xeque, ou seja, daqueles que rejeitavam a Sua mensagem, esses últimos foram deixados em sua cegueira espiritual se perguntando a respeito do que Jesus queria dizer. Jesus conhecia os corações, e conhecia as intenções daqueles que O indagava. Ele fez uma distinção clara entre aqueles que tinham sido dados "ouvidos para ouvir" e aqueles que persistiam em descrença – sempre ouvindo mas nunca realmente entendendo e "sempre aprendendo, mas não conseguem nunca de chegar ao conhecimento da verdade" (2 Timóteo 3:7). "Ele respondeu: ‘A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, MAS A ELES NÃO (homens de coração duro, na ocasião, esses homens eram judeus). A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’." Mt 13. 10-14


PÉROLAS AOS PORCOS

Entendido isso, observemos agora outro texto:
"Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.
Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?
Mas ele falava do templo do seu corpo.
Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito."
João 2:19-22          
             
Note no texto acima, que ele deixou os judeus sem explicação alguma, deixou eles realmente pensarem que a destruição do templo era literal, não simbólica, mesmo os apóstolos entenderam somente depois da ressurreição de Jesus, os outros, os judeus, que tinham o coração endurecido, ficaram entendendo que era literal mesmo. Note as palavras de Jesus e a semelhança com o texto de - "deste pão "João 6:51 e "este templo" Jo 2.19, nas duas ocasiões os judeus entenderam que era literal, e Jesus nada fez para mudar o conceito deles, embora estivesse errado, seria como dizer que Jesus era responsável pelo que dizia, mas não pelo que entendiam e não entendiam. O fato de Jesus não corrigí-los mesmo depois de terem entendido errado, mostra claramente sua intenção de esconder as verdades mais elevadas de Deus desse povo, por isso mesmo podemos entender a expressão: "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas" (Mateus 7:6) que é quando revelamos verdades elevadas à aqueles que não conseguem entender deliberadamente, assim,  Jesus deixa que os judeus entendam errado, ou seja, que seu corpo era literalmente era pão e vinho na ocasião de João 6, com o objetivo de não jogar pérolas aos porcos e esclarecer aos seus discípulos o real sentido em hora oportuna, assim como foi na declaração sobre o templo, pois o próprio Cristo disse em Mateus 13 que ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’, ou seja, os homens de coração duro, não entenderiam mesmo, como não entenderam o que Jesus diz em João 6. 

Ou seja, segundo a lógica Católica Romana, apresentada no site Veritatis Splendor, Jesus de fato iria destruir aquele templo e depois reconstruir em três dias somente porque os judeus assim entenderam, ou seja, se os Judeus, homens de coração duro, entenderam que era literal, era por que de fato era literal, como se homens carnais pudessem entender as verdades eternas!  Não é porque os judeus pensaram que era literal, que aquilo era de fato assim, se assim fosse, Jesus literalmente destruiria o templo de Jerusalém e o construiria de novo, e sabemos que não foi assim, logo, o argumento cai por terra totalmente, só lembrando que Jesus mesmo falou que eles não entenderiam as suas verdades: ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’.


SOZINHO COM OS DISCÍPULOS - "EM MEMÓRIA DE MIM"

Como foi anteriormente falado, somente quando estava sozinho com os discípulos, era que Ele revelava suas verdades mais elevadas, como foi no caso das parábolas, que foi explicada somente para os discípulos, deixando todo o restante que ouviu na ignorância, e também quando revelou o sentido real da destruição do templo por ocasião da sua ressurreição e novamente, com relação ao seu corpo e seu sangue, ele também revela seu real sentido quando estava sozinho com eles. Ele diz: "19 E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em MEMÓRIA de mim." Lucas 22.19

Continuando o pensamento, observem com atenção que somente quando Ele está sozinho com os discípulos é que é explicado o real significado do que Ele disse, ele fala que era um MEMORIAL, "em memória de mim" Lc 22.15. 

O que é um memorial? Quando se faz um memorial de alguém é para lembrar de um grande feito dessa pessoa, não de literalmente repetir aquele feito. Só citando como exemplo, nos quarteis do Exército Brasileiro, de todo Brasil, podemos encontrar um memorial a Duque de Caxias, e todos os anos, no dia do soldado, é lembrado de seus grandes feitos, isso é para nos lembrar do que Caxias fez, isso é um memorial, isso não torna a imagem de Caxias lá exposta, o próprio Caxias, a imagem é um símbolo, uma lembrança, que nos remete a seguir o seu exemplo, que no caso de Cristo, devemos assim como Cristo, nos crucificar todos os dias, examinando a nós mesmos.

A palavra grega usada ali no original, é a palavra "anamnesis", quer quer dizer literalmente "lembrança, recordação" Strong referência 364. Veja na imagem:



O versículo poderia tranquilamente ser escrito assim: "19 E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em LEMBRANÇA de mim." Lucas 22.19


LEMBREMO-NOS DA PÁSCOA

Notem também que Jesus estava fazendo isso por ocasião da Páscoa, o que era a Páscoa? Era a lembrança de quando Moisés, um tipo de Cristo, tirou o povo da escravidão do Egito, assim todos os anos, o povo Judeu, relembrava através dos pães asmos, que Moisés tinha retirado o povo do Egito, e Cristo agora instituía outro sentido para a Páscoa, que o cordeiro de Deus tiraria o povo do "Egito", que significa escravidão do pecado, e o levaria para a liberdade, e através desse pão e desse vinho, lembraríamos do sacrifício Dele na cruz.   
  
“E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus.”
Lucas 22:15,16

Se alguém chegasse a você e dissesse que os judeus, ao comemorar as Pascoa, voltavam todos os anos ao Egito, atravessavam o Mar Vermelho, passavam pelo deserto e alcançavam a terra prometida, o que você diria a ele? Se você acha isso um absurdo, saiba que esse é justamente o pensamento Católico Romano sobre a Santa Ceia! Ao dizer que Cristo literalmente está no pão e no vinho e ao dizer que acontece ali um sacrifício real de Jesus, é o mesmo que dizer que os judeus faziam todo ano uma peregrinação ao Egito, se tornavam escravos e tudo mais, mas nós sabemos que a Páscoa era uma lembrança e a festa um memorial, assim Jesus também estabelece uma lembrança e uma festa (a santa ceia era uma festa, isso é fartamente documentado nos documentos antigos e Paulo fala sobre a festa da Ceia em 1 Co 11), à semelhança da Pascoa antiga, em que o evento seria um memorial, para que pudéssemos “examinar a nós mesmos” 1 Co 11.28.

Por isso mesmo Paulo recomenda que "examinemos a nós mesmos", observem como Paulo ratifica duas vezes a questão do memorial, mesmo que isso não seja esteja escrito assim em nenhum dos Evangelhos, pois Paulo usando uma fonte mais antiga, mostra que a tradição mais antiga, valorizava o MEMORIAL, ele associa o memorial a examinar a si mesmo, que é justamente quando crucificamos a nós mesmos.

"E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em MEMÓRIA de mim.
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em MEMÓRIA de mim.
Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.
Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice."

1 Coríntios 11:24-28  

É nessa ocasião, que ao nos examinar, que nos crucificamos com Cristo, como Paulo mesmo diz:                    

 “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus,” Gálatas 2.20

“Vós não podeis pertencer a Cristo Jesus a não ser que crucificais todas as suas paixões e desejos.” Gálatas 5:24

E assim entendemos o que Cristo disse:

"Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” Mt 8.34

Não é no ato de comer a Cristo que está a grande façanha da Santa Ceia, mas no ato de matar o próprio ego e deixar Cristo viver em nós. O maná que caiu do céu, não produziu arrependimento, ele apenas alimentou o corpo dos homens, já o pão vivo, Jesus, desse só se pode alimentar aquele que está arrependido, pois é o arrependimento que nos faz filhos de Deus e verdadeiros servos e produz a verdadeira Vida.


CONCLUSÃO

Vemos que uma análise cuidadosa, não só dos versículos bíblicos, como também do contexto histórico, nos leva a conclusão certa de que a Santa Ceia é simbólica, uma lembrança do sacrifício de Cristo e que através dessa lembrança, devemos nos crucificar com Ele, nos lembrando que assim como Moisés tirou povo do Egito, nós também fomos tirados da escravidão do pecado por outro Moisés, a saber, Jesus, o Cristo!  


A Paz!