29 de dezembro de 2013

99% de Semelhança? O que os estudos mais recentes dizem sobre o assunto

A semelhança genética entre homens e chimpanzés sempre foi usada como justificativa para a ancestralidade comum, acreditava-se até pouco tempo, que o chimpanzé e o homem compartilhava cerca de 99% dos genes no entanto, vários estudos tem colocado em xeque essa semelhança, como diz dois pesquisadores do Instituto de Biologia Evolutiva (UPF-CSIC), Tomàs Marquès-Bonet e Arcadi Navarro.


“Durante a última década, que tinha vindo a ser aceite que havia uma diferença entre os seres humanos e nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, em apenas 1,24% das nossas sequências de DNA. A descoberta que será publicado na Nature em 12 de fevereiro mostra que a figura de 1,24% é completamente errado e que, na verdade, pode ser até dez vezes maior.1


O Dr. Richard Buggs2 , que é professor titular no Queen Mary, Universidade de Londres, biólogo darwinista, declara que a semelhança de 98,5% entre humanos de Chimpanzés é muito enganadora e que na verdade essa diferença ficaria por volta de 70%, isso mesmo, 70%(setenta por cento) e que esse resultado minaria as implicações dos estudos antigos. Ele diz assim:

“De 1964 a 2004, acreditava-se que os seres humanos são quase idênticos aos macacos no nível genético . Dez anos atrás , pensávamos que a informação codificada em nosso DNA é 98,5% idêntico ao codificado em DNA de chimpanzé . Isso levou alguns cientistas a afirmar que os seres humanos são simplesmente uma outra espécie de chimpanzé. Eles argumentaram que os seres humanos não têm um lugar especial no mundo, e que os chimpanzés deveriam ter os mesmos "direitos" como seres humanos.

Outros cientistas tinham uma visão diferente. Eles disseram que é óbvio que nós somos muito diferentes dos chimpanzés em nossa aparência e modo de vida: se somos quase o mesmo que os chimpanzés na nossa sequência de DNA , isso significa simplesmente que a sequência de DNA é o lugar errado para olhar na tentativa de compreender o que torna os seres humanos diferentes. Por este ponto de vista , a figura de 98,5% não põe em causa o lugar especial dos seres humanos. Em vez disso, põe em causa a importância da genética no pensar sobre o que significa ser um ser humano.

Felizmente (para o estado dos seres humanos e do estado da genética ) agora sabemos que a figura de 98,5% é muito enganador . Em 2005, cientistas publicaram um projeto de leitura da sequência completa do DNA (genoma) de um chimpanzé. Quando isto é comparado com o genoma de um ser humano, encontramos grandes diferenças.

Para comparar os dois genomas, a primeira coisa que devemos fazer é alinhar as partes de cada genoma que são semelhantes. Quando fazemos este alinhamento, descobrimos que apenas 2,4 bilhões de 3164700000 ' letras ' do genoma humano se alinham com o genoma do chimpanzé - ou seja, 76% do genoma humano. Alguns cientistas argumentam que a de 24% do genoma humano que não se alinha com o genoma do chimpanzé é inútil "DNA lixo". No entanto, agora parece que este DNA pode conter mais de 600 genes codificadores de proteínas, e também para codificar moléculas de RNA funcionais.

Olhando de perto o chimpanzé - como 76% do genoma humano, descobrimos que para fazer um alinhamento exato, muitas vezes temos que introduzir lacunas artificiais tanto no genoma humano ou de chimpanzé. Essas lacunas dar outra diferença de 3%. Portanto, agora temos uma similaridade de 73% entre os dois genomas.

Nas sequências bem alinhadas nós agora encontramos uma outra forma de diferença , onde uma única ' letra' é diferente entre os genomas humanos e de chimpanzés. Estes fornecem uma outra diferença de 1,23% entre os dois genomas. Assim, a diferença, em percentagem é agora de cerca de 72 %.

Também encontramos lugares onde dois pedaços de genoma humano se alinham com apenas uma peça do genoma do chimpanzé, ou dois pedaços do genoma do chimpanzé se alinham com um pedaço de genoma humano. Esta "variação do número de cópia" causa outra diferença de 2,7% entre as duas espécies. Por conseguinte, o total de semelhança dos genomas pode ser inferior a 70 %.

Este número não incluem diferenças na organização dos dois genomas. No momento, não é possível avaliar completamente a diferença na estrutura dos dois genomas, porque o genoma humano foi utilizado como um molde (ou "scaffold") quando o chimpanzé projeto de genoma foi montado .

Nosso novo conhecimento dos genomas humano e do chimpanzé contradiz a idéia de que os seres humanos são 98% dos chimpanzés, e mina as implicações que foram tiradas a partir desta figura. Ele sugere que há uma quantidade enorme de pesquisa emocionante ainda a ser feito em genética humana.”3


Outra referência mostrando novamente cerca de 75% de semelhança:

"The DNA homology between ape and man has been reported to be 96% when considering only the current protein-mapping sequences, which represent only 2% of the total genome. However, the actual similarity of the DNA is approximately 70% to 75% when considering the full genome, including the previously presumed “junk DNA,” which has now been demonstrated to code for supporting elements in transcription or expression. The 25% difference represents almost 35 million single nucleotide changes and 5 million insertions or deletions."4


"É agora claro que as diferenças genéticas entre humanos e chimpanzés são muito mais extensa do que se pensava, seus genomas não são 98% ou 99% idênticos."5


Olha só o que escreve um famoso blog evolucionista sobre o assunto:

“Um ser humano não é 1% diferente de um chimpanzé… Uma frase como essa não só é errada mas também um desserviço à construção de um saber científico.”6

Quando vamos ao nível molecular, mesmo a diferença de 1 a 2% em nível genético, nos dá uma assustadora diferença 80%! Veja o que diz esse artigo:

"O chimpanzé é nosso parente vivo mais próximo. As diferenças morfológicas entre as duas espécies são tão grandes que não há qualquer problema em distinguir entre os dois. No entanto, a diferença de nucleótidos entre as duas espécies é surpreendentemente pequena. A comparação do genoma cedo por técnicas de hibridação de ADN sugeriram uma diferença de nucleótidos de 1-2%. Recentemente, seqüenciamento direto, confirmou esta estimativa. Essas descobertas geraram a crença comum de que o ser humano é extremamente próximo do chimpanzé no nível genético. No entanto, se olharmos para as proteínas, que são os principais responsáveis ​​pelas diferenças fenotípicas, o quadro é bastante diferente, e cerca de 80% de proteínas são diferentes entre as duas espécies. Ainda assim, o número de proteínas responsáveis ​​pelas diferenças fenotípicas pode ser menor uma vez que nem todos os genes são diretamente responsáveis ​​por características fenotípicas."7


CONCLUSÃO

Primeiro vemos que a semelhança de 99% caiu por terra faz um bom tempo.

"Este número não incluem diferenças na organização dos dois genomas" ou seja, a diferença tende a aumentar a medida que os estudos forem evoluindo.

Segundo, faço uma reflexão despretensiosa diante de duas perguntas que me vêem a mente, a primeira é que diante da colocação do Dr. Richard Buggs de que os novos conhecimentos além de contradizer os 98% também  “mina as implicações que foram tiradas a partir desta figura”, que implicações? Poderíamos sugerir a ancestralidade comum entre eles? Não estou colocando palavras na boca do autor, somente refletindo.

A segunda pergunta é que se 99% de semelhança prova que houve ancestralidade comum entre homens e chimpanzé, a que ponto é que a comparação deixaria de apoiar a evolução darwinista dentro da ancestralidade comum? E se a semelhança continuasse a cair e a diferença aumentasse para 2%, 3%, 5%, 10%, 30%? Existe aqui alguma métrica objetiva de falseabilidade?


REFERÊNCIAS

27 de dezembro de 2013

Quem escreveu as leis da natureza?



Do livro de Antony Flew

Talvez o mais popular e intuitivamente plaus
ível ar­gumento pela existência de Deus é o assim chamado argumento do desígnio. De acordo com ele, o desígnio que se vê na natureza sugere a existência de um Planeja­dor cósmico. Tenho freqüentemente dito que esse é de fato um argumento "da ordem para o desígnio", porque tais argumentos procedem da ordem percebida na natu­reza para mostrar a evidência de um plano e, assim, de um Planejador. Embora eu já tenha sido um ferrenho crí­tico do argumento do desígnio, passei a ver que, quando corretamente formulado, ele constitui uma defesa persuasiva da existência de Deus. Avanços em duas áreas em particular levaram-me a essa conclusão. A primeira é a questão da origem das leis da natureza e as idéias, a isso relacionadas, de importantes cientistas modernos. A segunda é a questão da origem da vida e a reprodução. O que quero dizer quando falo das leis da natureza? Por "lei", eu me refiro à regularidade ou simetria na na­tureza. Alguns exemplos, tirados de livros didáticos, po­dem ilustrar o que digo:

A lei de Boyle estipula que, dada uma temperatu­ra constante, o produto do volume e da pressão de uma quantidade fixa de um gás ideal é constante.

De acordo com a primeira lei do movimento de Newton, um objeto em repouso permanecerá em re­pouso a menos que uma força externa atue sobre ele, e um objeto em movimento permanecerá em movi­mento a menos que uma força externa atue sobre ele.

De acordo com a lei de conservação da energia, a quantidade total de energia em um sistema isolado permanece constante.

O mais importante não é o fato de haver essas regularidades na natureza, mas sim que elas são matematica­mente precisas, universais e interligadas. Einstein refe­riu-se a elas como "a razão encarnada". O que devemos perguntar é o que fez a natureza surgir do jeito que é. Essa, sem dúvida, é a pergunta que os cientistas, de Newton a Einstein e a Heisenberg, fizeram e para a qual encontraram a resposta. Essa resposta foi: a Mente de Deus.

Esse modo de pensar não é encontrado apenas nos conhecidos cientistas teístas pré-modernos, como Isaac Newton e James Maxwell. Pelo contrário, muitos impor­tantes cientistas da era moderna consideram as leis da natureza pensamentos da Mente de Deus. Stephen Hawking termina seu best seller Uma breve história do tempo com a seguinte passagem:

Se descobrirmos uma teoria completa, ela terá de ser compreendida por todas as pessoas, não apenas por alguns cientistas. Então nós todos, filósofos, cientistas e pessoas comuns, devemos ser capazes de participar da discussão sobre o motivo de nós e o universo exis­tirmos. Se encontrarmos a resposta, esse será o supre­mo triunfo da razão humana, porque, então, conhece­remos a mente de Deus.

Mesmo que haja uma única, unificada teoria, ela será apenas um conjunto de regras e equações. Pergunto: o que dá vida às equações e cria um universo para que elas o descrevam?
Hawking disse mais sobre isso em entrevistas poste­riores. "O que causa maior impressão é a ordem. Quanto mais descobrimos sobre o universo, mais vemos que ele é governado por leis racionais." "E uma pergunta conti­nua: por que o universo dá-se ao trabalho de existir? Se quiserem, vocês podem definir Deus como a resposta para essa pergunta."

Quem escreveu todos aqueles livros?


Muito antes de Hawking, Einstein usava linguagem similar: "Quero saber como Deus criou este mundo. Que­ro conhecer Seus pensamentos, o resto são detalhes". Em meu livro God and Philosophy, eu disse que não podemos tirar muita coisa desses trechos, porque Einstein dissera que acreditava no Deus de Spinoza. Como, para Baruch Spinoza, as palavras "Deus" e "natureza" eram sinôni­mos, poderíamos dizer que Einstein, aos olhos do judaís­mo, do cristianismo e do islamismo, era inequivocamen­te um ateísta e "pai espiritual de todos os ateístas".

Mas o livro recente, Einstein e a religião; física e teolo­gia, de Max Jammer, um dos amigos de Einstein, pinta um quadro muito diferente da influência de Spinoza e das próprias crenças de Einstein. Jammer mostra que o conhecimento que Einstein tinha de Spinoza era bastan­te limitado, que dele lera apenas Ética e que rejeitara re­petidos convites para escrever sobre sua filosofia. Em res­posta a um desses convites, ele replicou: "Não tenho conhecimento profissional suficiente para escrever um ar­tigo sobre Spinoza". Embora Einstein compartilhasse a crença de Spinoza em determinismo, Jammer afirma que é "artificial e infundado" presumir que o pensamento de Spinoza influenciou a ciência de Einstein". Jammer ob­serva ainda que "Einstein tinha afinidade com Spinoza porque percebia que ambos sentiam necessidade de so­lidão e também pelo fato de terem sido criados na tradi­ção judaica e mais tarde abandonado a religião de seus ancestrais".
Mesmo chamando atenção para o panteísmo de Spinoza, Einstein expressamente negava ser ateísta ou panteísta:

"Não sou ateísta, e não acho que posso me chamar de panteísta. Estamos na situação de uma criança que en­tra em uma enorme biblioteca cheia de livros escritos em muitas línguas. A criança sabe que alguém escre­vera aqueles livros, mas não sabe como. Não entende os idiomas nos quais eles foram escritos. Suspeita va­gamente que os livros estão arranjados em uma or­dem misteriosa, que ela não compreende. Isso, me parece, é a atitude dos seres humanos, até dos mais inteligentes, em relação a Deus. Vemos o universo ma­ravilhosamente arranjado e obedecendo a certas leis, mas compreendemos essas leis apenas vagamente. Nossa mente limitada capta a força misteriosa que move as constelações." (Grifo acrescentado.)

No livro Deus: um delírio, Richard Dawkins fala de minha antiga opinião de que Einstein era ateísta. Fazen­do isso, ignora a declaração categórica de Einstein, citada acima, de que ele não era ateísta, nem panteísta. Isso é surpreendente, porque Dawkins cita Jammer, mas deixa de fora numerosas declarações, tanto de Jammer como de Einstein, que são fatais para seu argumento. Jammer observa, por exemplo, que "Einstein sempre protestou contra o fato de ser visto como ateísta. Em uma conversa com o príncipe Hubertus de Lowenstein, ele declarou que ficava zangado com pessoas que não acreditavam em Deus e o citavam para corroborar suas idéias. Einstein repudiou o ateísmo porque nunca viu sua negação de um deus personificado como uma negação de Deus".

Einstein, naturalmente, não acreditava em um Deus personificado, mas disse:

Uma outra questão é a contestação da crença em um Deus personificado. Freud endossou essa idéia em sua última publicação. Eu próprio nunca assumiria tal ta­refa, porque tal crença me parece preferível à falta de qualquer visão transcendental da vida, e imagino se seria possível dar-se, à maioria da humanidade, um meio mais sublime de satisfazer suas necessidades metafísicas.

"Resumindo", conclui Jammer, "Einstein, como Maimônides e Spinoza, categoricamente rejeitava qual­quer antropomorfismo no pensamento religioso". Mas, diferentemente de Spinoza, que via na identificação de Deus com a natureza a única conseqüência lógica da ne­gação de um Deus personificado, Einstein sustentava que Deus se manifesta "nas leis do universo como um espíri­to infinitamente superior ao espírito do homem, diante do qual nós, com nossos modestos poderes, devemos nos sentir humildes". Einstein concordava com Spinoza na idéia de que quem conhece a natureza conhece Deus, não porque a natureza seja Deus, mas porque a busca da ciên­cia, estudando a natureza, leva à religião.

A "mente superior" de Einstein


Einstein obviamente acreditava em uma fonte trans­cendental da racionalidade do mundo, que ele chama­va de "mente superior", "espírito superior infinito", "força inteligente superior" e "força misteriosa que move as constelações". Isso fica evidente em várias de suas declarações:

"Nunca encontrei uma expressão melhor do que "reli­giosa" para definir a confiança na racional natureza da realidade e de sua peculiar acessibilidade à mente humana. Onde não há essa confiança, a ciência dege­nera, tornando-se um procedimento sem inspiração. Se os sacerdotes lucram com isso, que o diabo cuide do assunto. Não há remédio para isso.

Quem quer que tenha passado pela intensa experiên­cia de conhecer bem-sucedidos avanços nesta área (ciência) é movido por profunda reverência pela ra­cionalidade que se manifesta em existência... a gran­deza da razão encarnada em existência.

O certo é que a convicção, semelhante ao sentimento religioso, da racionalidade ou inteligibilidade do mundo, está por trás de todo trabalho científico de uma ordem superior. Essa crença firme em uma mente superior que se revela no mundo da experiência, ligada a profundo sentimento, representa minha concepção de Deus.

Todos os que seriamente se empenham na busca da ciência convencem-se de que as leis da natureza manifestam a existência de um espírito imensamente su­perior ao do homem, diante do qual nós, com nossos modestos poderes, devemos nos sentir humildes.

Minha religiosidade consiste de uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se re­vela nos pequenos detalhes que podemos perceber com nossa mente frágil. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder racional supe­rior, que é revelado no incompreensível universo, for­ma minha idéia de Deus."

Saltos quânticos na direção de Deus


Einstein, descobridor da relatividade, não foi o único grande cientista que viu uma conexão entre as leis da natureza e a Mente de Deus. Os pais da física quântica, outra grande descoberta científica dos tempos modernos, Max Planck, Werner Heisenberg, Erwin Schrödinger e Paul Dirac, também fizeram declarações similares, e abai­xo reproduzo algumas delas.

Werner Heisenberg, famoso por seu princípio da in­certeza e pela mecânica das matrizes, disse: "No decor­rer de minha vida, vejo-me freqüentemente compelido a refletir sobre o relacionamento dessas duas áreas de pen­samento (ciência e religião), porque nunca pude duvidar da realidade daquilo para o que elas apontam". Em ou­tra ocasião, ele disse:

"Wolfang (Pauli) me perguntou de modo inesperado: Você acredita em um Deus personificado? Perguntei se podia reformular a pergunta, dizendo que preferia fazê-la da seguinte maneira: você, ou qualquer outra pessoa, pode chegar à ordem central de coisas e acon­tecimentos cuja existência parece estar além da dúvi­da tão diretamente quanto pode alcançar a alma de outra pessoa? Estou usando o termo alma deliberada­mente, para não ser mal-compreendido. Se fizer sua pergunta dessa forma, eu direi que sim. Se a força magnética que tem guiado essa bússola especial e qual mais poderia ser sua fonte, a não ser a ordem central? se extinguisse, coisas terríveis aconteceriam à humanidade, muito mais terríveis do que campos de concentração e bombas atômicas."

Outro pioneiro da física quântica, Erwin Schrödinger, que desenvolveu a mecânica ondulatória, declarou:

"O quadro científico do mundo a minha volta é muito deficiente. Ele me dá muitas informações factuais, põe toda nossa experiência em uma ordem magnificamente coerente, mas mantém um horrível silêncio sobre tudo o que é caro ao nosso coração, o que é realmente im­portante para nós. Esse quadro não me diz uma pala­vra sobre a sensação de vermelho ou azul, amargo e doce, sentimentos de alegria e tristeza. Não sabe nada de beleza e fealdade, de bom e de mau, de Deus e de eternidade. A ciência, às vezes, finge responder a es­sas perguntas, mas suas respostas, quase sempre, são tão tolas que não podemos aceitá-las seriamente. A ciência é reticente também quando se trata de uma pergunta sobre a grande Unidade da qual nós, de alguma forma, fazemos parte, à qual pertencemos. Ago­ra, em nosso tempo, o nome mais popular para isso é Deus, com D maiúsculo. A ciência tem sido, costumeiramente, rotulada de ateísta e, depois de tudo o que já dissemos, isso não é de surpreender. Se o qua­dro do mundo da ciência não contém beleza, alegria, tristeza, se personalidade foi eliminada dele, por co­mum acordo, como poderia conter a idéia mais subli­me que se apresenta à mente humana?

Max Planck, que foi o primeiro a introduzir a hipóte­se quântica, sustentou claramente que a ciência complementa a religião, declarando que "nunca poderá haver um real antagonismo entre religião e ciência, porque uma é o complemento da outra". Ele também disse que "a re­ligião e a ciência natural estão lutando juntas numa cru­zada sem trégua contra o ceticismo e o dogmatismo, con­tra a descrença e a superstição, e, assim, a favor de Deus!".

Paul A. M. Durac, que complementou o trabalho de Heisenberg e Schrödinger com uma terceira formulação da teoria quântica, observou que "Deus é um matemáti­co de altíssima categoria, que usou matemática avança­da para construir o universo".

Antes desses cientistas, Charles Darwin já expressa­ra uma opinião semelhante:

"A razão me fala da extrema dificuldade, ou melhor, da impossibilidade de concebermos a idéia de que esse imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem com sua capacidade de olhar para o passado distante e para o futuro remoto, foi resultado de acaso cego. Assim refletindo, sinto-me compelido a procurar uma Primeira Causa com mente inteligente, análoga, de certo modo, àquela do homem. Mereço ser chamado de teísta."

Essa linha de pensamento é mantida viva nos escri­tos de muitos dos mais importantes cientistas de hoje, como Paul Davies, John Barrow, John Polkinghorne, Freeman Dyson, Francis Collins, Owen Gingerich, Roger Penrose, e filósofos da ciência, como Richard Swinburne e John Leslie.

Davies e Barrow, em particular, têm desenvolvido em teorias as idéias de Einstein, de Heisenberg e outros cien­tistas a respeito da relação entre a racionalidade da natu­reza e a Mente de Deus. Ambos receberam o prêmio Templeton por suas contribuições a esse estudo. Suas obras corrigem muitas concepções errôneas à medida que lançam luz sobre os assuntos discutidos aqui.

Leis de quem?


No discurso que fez na entrega do prêmio Templeton, Paul Davies disse que "a ciência só progredirá se os cien­tistas adotarem uma visão do mundo essencialmente teo­lógica". Ninguém pergunta de onde vieram as leis da fí­sica, mas "mesmo os cientistas mais ateus aceitam, como um ato de fé, a existência de uma ordem na natureza que obedece a leis e é, pelo menos parcialmente, compreensí­vel para nós". Davies rejeita duas comuns idéias errô­neas. Diz que é errada a idéia de que uma "teoria de tudo" teoria hipotética que unificaria todos os fenômenos físicos mostraria que este é o único mundo logicamen­te consistente, e que isso pode ser demonstrado, porque não há nenhuma prova de que o universo é logicamente necessário, e na verdade é possível imaginar universos alternativos que sejam logicamente consistentes. Davies diz também que é uma "tolice completa" supor-se que as leis da física são leis nossas, não da natureza. Os físicos não podem acreditar que a lei da gravitação de Newton seja uma criação cultural. As leis da física "realmente exis­tem", declara Davies, e o trabalho dos cientistas é desco­bri-las, não inventá-las.
Ele chama atenção para o fato de que as leis da natu­reza por trás dos fenômenos não são descobertas por meio de observação direta, mas reveladas por experiência e teo­ria matemática. Essas leis são escritas num código cósmi­co que os cientistas devem decifrar a fim de que seja reve­lada a mensagem que é "a mensagem da natureza, a mensagem de Deus a escolha do termo é sua , mas não nossa mensagem".
A questão principal, diz Davies, é dividida em três partes:

"De onde vêm as leis da física?
Por que temos essas determinadas leis, em vez de um conjunto de outras?
Como explicamos o fato de que temos um conjun­to de leis que dão vida a gases sem traços característi­cos, consciência ou inteligência?"

Essas leis "parecem quase planejadas funcionan­do em perfeita harmonia, como dizem alguns comentaristas para que a vida e a consciência possam emer­gir". Ele conclui, dizendo que essa "natureza planejada da existência física é fantástica demais para que eu a aceite como um simples fato. Ela aponta para um significado fundamental e mais profundo da existência". Palavras como "propósito" e "planejamento", ele diz, captam ape­nas de modo imperfeito o porquê do universo. "Mas exis­te um porquê, disso não tenho a menor dúvida."

John Barrow, em seu discurso na fundação Templeton, observa que a complexidade infinita e a perfeita estrutu­ra do universo são governadas por algumas leis simples, simétricas e inteligíveis. "Existem equações matemáticas, que parecem meros rabiscos num papel, que nos dizem como universos inteiros se comportam." Como Davies, ele descarta a idéia de que a ordem do universo é impos­ta por nossa mente. "A seleção natural não requer a com­preensão de quarks e buracos negros para nossa sobrevi­vência e multiplicação."

Barrow observa que, na história da ciência, novas teo­rias ampliam e incluem teorias antigas. Embora a teoria da mecânica de Newton tenha sido substituída pela de Einstein e poderá ser substituída por alguma outra no futuro , daqui a mil anos engenheiros ainda recorrerão às teorias de Newton. Do mesmo modo, Barrow diz, as concepções religiosas a respeito do universo também usam aproximações e analogias para facilitar a compreen­são de coisas novas. "Elas não são toda a verdade, mas isso não impede que sejam parte da verdade."

O divino legislador


Alguns filósofos escreveram também sobre a divina procedência das leis da natureza. Em seu livro The Divine Lawmaker: Lectures on Induction, Laws of Nature and the Existence of God, o filósofo de Oxford, John Foster, defen­de que a melhor explicação para a regularidade da natu­reza, seja como for que a descrevamos, é uma Mente di­vina. Se aceitamos o fato de que há leis, então temos de aceitar que existe alguma coisa que impõe essa regulari­dade ao universo. Mas o que é a impõe? Foster sustenta que a opção teísta é a única séria, de modo que "é racio­nalmente justificada nossa conclusão de que é Deus o Deus explicado pelos teístas que cria as leis, impondo as regularidades ao mundo". Mesmo se negarmos a exis­tência de leis, ele argumenta, "há um forte argumento a favor da explicação de que as regularidades são da auto­ria de Deus".

Swinburne faz uma observação semelhante numa res­posta à crítica feita por Dawkins ao seu argumento do desígnio:

"O que é uma lei da natureza? (Nenhum de meus críti­cos enfrentou essa questão.) Dizer que é uma lei da natureza que todos os corpos se comportem de certa maneira — por exemplo, atraem-se mutuamente de acordo com certa fórmula — é, eu sugiro, dizer ape­nas que cada corpo físico comporta-se assim, isto é, atrai cada corpo dessa maneira. É mais simples supor que essa uniformidade surge da ação de uma subs­tância que faz com que todos comportem-se da mes­ma maneira do que supor que o comportamento uni­forme de todos os corpos é um fato irracional e final."

O principal argumento de Swinburne é que um Deus personificado com as qualidades tradicionais explica melhor a operação das leis da natureza.

Richard Dawkins rejeitou esse argumento, dizendo que Deus é uma solução muito complexa para explicar o universo e suas leis. Parece-me bizarra essa declaração a respeito do conceito de um Ser espiritual onipotente. O que há de complexo na idéia de um Espírito onisciente e onipotente, uma idéia tão simples que é compreendida por todos os seguidores das três maiores religiões monoteístas, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo? Alvin Plantinga recentemente observou que, pela pró­pria definição de Dawkins, Deus é simples, não comple­xo, porque é um espírito, não um objeto material e que, portanto, não tem várias partes.
Retornando a minha parábola do telefone via satélite do capítulo anterior, as leis da natureza são um problema para os ateístas porque elas são uma voz de racionalida­de ouvida pelos mecanismos da matéria. "A ciência ba­seia-se na suposição de que o universo é meticulosamen­te racional e lógico em todos os níveis", escreve Paul Davies, comprovadamente o mais influente expositor con­temporâneo da ciência moderna. "Os ateístas alegam que as leis da natureza existem sem nenhuma razão, e que o universo é, em última análise, absurdo. Como cientista, acho difícil aceitar isso. Tem de haver um solo firme e racional onde está enraizada a ordenada e lógica nature­za do universo."

Esses cientistas que apontam para a Mente de Deus não apenas adiantam-se na apresentação de uma série de argumentos, ou de um processo de raciocínio silogístico, como propõem uma visão da realidade que emerge do centro conceitual da ciência moderna e im­põe-se à mente racional. E uma visão que eu, pessoalmente, considero não só convincente como irrefutável.



CONCLUSÃO

Para saber mais sobre os erros e refutações de outros argumentos contra o desígnio, sugiro os seguintes textos:

Sobre Hume - http://questoesultimas.blogspot.com.br/2013/12/hume-e-seus-adeptos-nao-derrubaram-o.html



Por Francisco Tourinho