20 de novembro de 2013

Mais sobre hermenêutica: Explicando no que consiste a inspiração de Deus na Bíblia.

Há muito tempo tenho o desejo de escrever sobre esse assunto, embora já tenha tecido alguns comentários em outros textos, acredito não ter explanado de forma tão contundente e detalhada como essa. O texto ficou grande, mas vai do interesse de cada para lê-lo.

É normal que os novos ateus não conheçam sobre a Bíblia, mas insistem em criticá-la, mas o que mais me chama atenção, são cristãos não conhecerem o livro que aceitam como regra de fé e prática, muitas vezes incorrendo no erro do literalismo exacerbado,  confusão entre inspiração e psicografia, revelação e iluminação e tantos outros conceitos que mesmo fartamente sendo discutidas em faculdades de teologia, são negligenciados de forma inescrupulosa nas igrejas, que por sua vez, ainda alimentam a falsa ideia de que não se deve tratar de teologia dentro dela.

Falar sobre a Inspiração das Escrituras, exigiria muitas laudas e vários textos, portanto pretendo fazer assim que as dúvidas forem aparecendo, por isso, para facilitar o entendimento, o texto foi dividido em cinco partes, atacando os pontos das principais dúvidas, usando como referência a Teologia Sistemática de Augustus Hopkins STRONG, para mim, um dos grandes teólogos do século XIX e XX.


UNIÃO DOS ELEMENTOS DIVINO E HUMANO NA INSPIRAÇÃO ¹


1. Portanto, a inspiração não removeu, mas investiu para o seu próprio serviço todas as peculiaridades pessoais dos escritores com todos os seus defeitos de cultura e estilo literário.

Toda a imperfeição não inconsistente com a verdade na composição humana pode existir na Escritura inspirada. A Bíblia é a Palavra de Deus no sentido de que ela nos apresenta a verdade divina nas formas humanas e é uma revelação não para uma classe seleta, mas para a mente comum. Corretamente entendida, esta própria humanidade da Bíblia é prova da sua divindade.

Locke: “Quando Deus fez o profeta, não desfez o homem”.

Prof . Day: “A sarça em que Deus apareceu a Moisés continuou sendo sarça, embora ainda queimasse com o brilho e a expressão da majestade da mente de Deus”.

Charles Hodge, Sistematic Theology, 1.157 - “Quando Deus ordena que a boca das crianças louvem, elas devem falar como crianças, ou perder-se-á toda a força ou beleza tributada”.

Evans, Bib. Scholarship and Inspiration, 16,25 - “Os corvos que alimentaram Elias não eram mais que um pássaro. Nem o homem, quando sobrenaturalmente influenciado, deixa de ser um homem. Um homem inspirado não é Deus, nem um autômato divinamente manipulado”; “Na Escritura pode haver tanta imperfeição como nas partes de qualquer organismo; seria consistente com a perfeita adaptação de tal organismo ao fim ao fim a que se destina. Então, a Escritura, tomada no seu conjunto, é uma firmação da verdade moral e religiosa suficiente para a salvação dos homens, ou uma regra infalível e suficiente de fé e prática”.


2. Na inspiração Deus se vale de todos métodos corretos e normais da composição literária.

Como reconhecemos na literatura a função própria da história, da poesia, e da ficção; da profecia, da parábola e do drama; da personificação e do provérbio; da alegoria e da instrução dogmática; e mesmo do mito e da lenda; não podemos negar a possibilidade de Deus usar qualquer destes métodos da verdade comunicante, deixando que determinemos em qualquer simples caso qual desses métodos ele adotou.

Na inspiração, como na regeneração e na santificação, Deus opera “de muitas maneiras” (Hb. 1.1). As Escrituras, como os livros da literatura secular, devem ser interpretadas à luz do seu propósito. A poesia não pode ser tratada como a prosa, e a parábola não pode ser tratada de qualquer forma (em Inglês “andar de quatro”), quando ela indica o caminhar ereto e o simples contar uma história. O drama não é história, nem a personificação deve ser considerada como uma biografia. Há um exagero retórico que apenas tem em vista uma vivida ênfase de uma importante verdade. A alegoria é um modo popular de fazer ilustração. Mesmo o mito e a lenda podem trazer grandes lições de outra forma impossíveis que mentes infantis e sem instrução apreendam. Para julgarmos a Escritura há necessidade de um senso literário, o que falta na crítica muito hostil.

Denney, Studies in Theology, 218 - “Há um estágio em que todo o conteúdo da mente, embora não tendo capacidade para a ciência e para a história pode ser chamado mitológico. O que a crítica nos mostra, ao tratar dos capítulos iniciais de Gênesis, é que Deus não menospreza o falar à mente, nem através dela, mesmo quando num estágio inferior. Até mesmo o mito, no qual o início da vida humana, estando além da possibilidade de pesquisa, é representado numa linguagem infantil da raça, pode tornar-se um recurso da revelação. ... Mas isso não faz do primeiro capítulo de Gênesis ciência, nem também do terceiro capítulo história. E a autoridade nestes capítulos não é a forma semi-científica ou semi-histórica, mas a mensagem que através deles vem, da sabedoria e força criativas de Deus, ao coração do homem”.

Gore,em Lux Mundi, 356 - “Os variados tipos de atividade mental e literária desenvolvem-se em suas diferentes linhas a partir de uma condição primitiva na qual não se diferenciam, mas fundem-se. Podemos chamar vagamente isto de estágio mítico da evolução mental. Mito não é falsidade; é um produto da atividade mental, instrutivo como mais tarde qualquer outra produção, mas caracteriza-se por não ser distinta da história, da poesia e da filosofia”.

Do mesmo modo Grote chama de mitos gregos o grupo intelectual todo da época a que pertenciam - a raiz comum de toda história, poesia, filosofia, teologia, de que mais tarde divergiram e de que procederam. 

Assim, a parte inicial de Gênesis pode pertencer à natureza do mito no qual não podemos distinguir o germe histórico, embora não neguemos que ele exista.


3.A inspiração não garante a inerrância em coisas não essenciais ao principal propósito da Escritura.

A inspiração não vai além da fidedigna transmissão dos escritores responsáveis pela apresentação da verdade. Inspiração não é onisciência. É a concessão de vários tipos e graus de conhecimento e auxílio, de acordo com a necessidade; às vezes sugere uma nova verdade, às vezes preside a coleção do material preexistente e resguarda do erro essencial na elaboração final. Como a inspiração não é onisciência, não é santificação completa. Nem invoca infalibilidade pessoal.

Pfleiderer, Grundríss, 53, 54 - “A palavra é divina-humana no sentido de que contém a verdade divina condicionada na forma humana, histórica e individual. A Escritura Sagrada contém a palavra de Deus de um modo claro, e inteiramente suficiente para gerar a fé salvadora”.

Francês Power Cobbe, Life, 87 - “A inspiração não é uma coisa miraculosa e conseqüentemente incrível,mas normal e concorde com o relacionamento natural entre o espírito infinito com o finito, influxo divino da luz mental em analogia perfeita com a influência moral que os teólogos chamam graça. Como toda alma devota e obediente pode ter a expectativa de compartilhar da graça divina, do mesmo modo elas têm compartilhado, como ensina Parker, na inspiração divina. E, como o recebimento da graça mesmo em grande medida não nos torna impecáveis, assim também o da inspiração não nos torna infalíveis.


4. Contudo, não obstante o elemento humano sempre presente, a inspiração das Escrituras, totalmente permeável, faz destes vários escritos um todo orgânico.

Porque a Bíblia é em todas as suas partes a obra de Deus, cada parte deve ser julgada, não isoladamente, mas em sua conexão com cada uma das outras partes. As escrituras não devem ser interpretadas como tantas produções simplesmente humanas de diferentes autores, mas também como a obra de uma mente divina. Coisas aparentemente triviais devem ser explicadas a partir da sua conexão com o todo. Uma história deve ser edificada a partir de vários relatos da vida de Cristo. Uma doutrina deve suplementar a outra. O Velho Testamento é parte de um sistema progressivo, cujo clímax e cuja chave devem ser encontrados no Novo Testamento. O assunto central e o pensamento que liga todas as partes da Bíblia a cuja luz devem ser interpretados, é a pessoa e obra de Jesus Cristo.

A Bíblia diz: “Não há Deus” (SI. 14.1); mas, então, deve-se tomar o contexto: “Disse o néscio no seu coração”. A expressão de Satanás “está escrito” (Mt. 4.6) é suplementada pela de Cristo: “Também está escrito” (Mt. 4.7).

As trivialidades são como o cabelo e as unhas - eles têm o seu lugar como partes de um todo.

Hodge , Sistematíc Theology, 1.164 - “A diferença entre o evangelho de João e o livro das Crônicas é como entre o cérebro do homem e o cabelo da sua cabeça; contudo, a vida do corpo está de modo tão verdadeiro no cabelo como no cérebro”.


5. Quando se reconhece plenamente a unidade da Escritura, a Bíblia, apesar das imperfeições em matéria não essencial ao propósito religioso, fornece orientação segura e suficiente para a verdade e para a salvação.

O reconhecimento da atuação do Espírito Santo torna racional e natural crer na unidade orgânica da Escritura. Quando se tomam as partes mais antigas em conexão com as mais tardias e quando se interpreta cada parte como um todo, desaparece a maioria das dificuldades relativas à inspiração. Tomadas juntas, tendo Cristo como clímax e explicação, a Bíblia fornece a regra de fé cristã e prática.

A Bíblia responde a duas perguntas: “O que Deus fez para me salvar? O que devo fazer para ser salvo? As proposições de Euclides não são invalidadas pelo fato de que ele cria que a terra é plana. A ética de Platão não deve ser rejeitada por causa dos seus equívocos relativos ao sistema solar. Do mesmo modo a autoridade religiosa independe do conhecimento meramente secular. - Sir Joshua Reynolds foi um grande pintor e um grande mestre da sua arte. Suas preleções sobre a pintura lançaram os princípios que têm sido aceitos como autoridade por diversas gerações. Mas ele ilustra o assunto a partir da história e da ciência. Era uma época quando tanto a história como a ciência eram jovens. Em alguns assuntos sem importância, que não afetam nem um pouco as suas conclusões, ele ocasionalmente vacila; suas afirmações não são seguras. Por isso não é ele uma autoridade no que tange à sua arte? - O Duque de Wellington uma vez disse que nenhum ser humano sabia quando começou a batalha de Waterloo. Um historiador recebeu a história de um combatente e fixou a hora como sendo onze da manhã. Um outro historiador teve a informação vinda de um outro combatente e fixou-a como ao meio-dia. Podemos dizer que esta discrepância indica erro em todo o relato e que não mais temos certeza de que ocorreu a batalha de Waterloo?

Deve-se admitir livremente tais insignificantes imperfeições, conquanto ao mesmo tempo insistimos que a Bíblia, tomada como um todo, é incomparavelmente superior a todos os outros livros e “que pode fazer-te sábio para a salvação” (2 Tm. 3.15).

Hooker, Eccl. Polity. “O que quer que se fale de Deus ou das coisas pertencentes a ele além do que é a verdade, embora pareça uma honra, é uma injúria. E como os louvores tributados aos homens tão freqüentemente abatem e prejudicam o crédito da sua merecida aprovação, assim devemos de igual modo tomar cuidado para que, ao atribuir à Escritura mais do que ela possa ter, não causemos incredulidade mesmo naquelas coisas que abundantemente sejam avaliadas com menos reverência”.

Baxter, Works, 21.349 - “Aqueles que pensam que as imperfeições humanas dos escritores avançam mais e podem aparecer em algumas passagens de cronologias ou da história que não são parte da regra de fé e vida, não destroem a causa cristã. Porque Deus pode capacitar os seus apóstolos para um registro e pregação do evangelho infalíveis, mesmo nas coisas necessárias à salvação, embora ele não os tivesse feito infalíveis em cada variante ou circunstância, nem ainda numa vida sem defeito”.

A Bíblia, diz Beet, “contém erros possíveis em pequenos pormenores ou alusões, mas dá-nos com absoluta certeza os grandes fatos do cristianismo e, com base neles e só neles apoia-se a nossa fé”.


CONCLUSÃO

O texto está muito grande, mas tentei resumir ao máximo para que fossem transmitidos os principais pontos de conflito. Não preparei o texto da forma de perguntas e respostas, porque tenho como objetivo levar a compreensão de um contexto geral da hermenêutica bíblica, uma reflexão, não somente o de trazer respostas prontas.

Espero que os neoateus possam ler também, embora saiba que a maioria vai desistir no primeiro parágrafo, mas para o cristão, que sirva de fonte para futuras pesquisas.


REFERÊNCIAS


1- STRONG, A.H.Teologia Sistemática. Ed. rev. e amp. São Paulo: Hagnos.2007.


Sugestão de outros textos:http://questoesultimas.blogspot.com.br/search/label/B%C3%ADblia


Por Francisco Tourinho

15 de novembro de 2013

Explicando um Pouco de Hermenêutica Bíblica - A questão dos seres mitológicos na Bíblia


Em resposta ao vídeo acima, escrevi um texto depois de um apelo público feito pelo Fábio Lima, administrador do grupo apologética e polemismo.


No vídeo, tem um menino que acredito ter uns 14 anos, que acha que descobriu o fogo, falando sobre diversas passagens bíblicas que faz referências a seres mitológicos. Segundo o Antonio, menino do vídeo, isso invalida a bíblia mostrando que ela não é digna de confiança e deve ser tratada como um livro de fábulas. Bem, eu particularmente não ando jogando os meus livros de ficção aqui na parede, custam dinheiro e geralmente eu tento guardar minhas coisas bem arrumadas, isso me levou a seguinte pergunta: porque tanta raiva da bíblia, se ela é só um livro de fábulas?

O primeiro erro de Antonio é que ele não conhece sequer o básico de teologia e de interpretação bíblica, logo, o ideal era ele ficar calado para não falar do que não sabe. O problema de grande parte dos neo-ateus, é achar que qualquer um pode falar de teologia ou filosofia e muitas vezes são esses que se tornam palpiteiros comparados àqueles que perguntam como o homem veio do macaco, infelizmente, esse tipo de povo, ganha cada vez mais espaço para espalhar o seu esterco.

Ensinando Antônio a interpretar a Bíblia:

A Bíblia não é como os livros de ciência ou como os livros de delírio do Richard Dawkins. Ela é uma coleção de livros que para entendê-la, em suas partes difíceis, é preciso um domínio de outras línguas como grego o hebraico e latim, domínio de conhecimentos de história antiga, arqueologia, geografia e muitos outros conhecimentos, logo, um estudante eficaz da bíblia, não pode ser qualquer palpiteiro que nem sequer terminou o ensino médio, ele tem que ser alguém habilitado para tal.

O que você diria de pessoas que, após ouvir a parábola da Raposa e das Uvas Verdes, viessem com o seguinte comentário:

Mãe do Sheldon: “O livro de Esopo contém lições importantíssimas para a humanidade. E cada palavra do livro de Esopo é verdadeira! A teoria da evolução das raposas é apenas uma teoria, é conhecimento científico mesclado com naturalismo filosófico. É possível mostrar cientificamente que no passado não só as raposas falavam como comiam uvas. O Esopismo científico deveria ser ensinado junto com o Evolucionismo das raposas.”

Bom, acho que você perceberia que essa pessoa não entendeu nadinha do propósito do livro de Esopo. E também, ao se apegar a uma interpretação literal, deixa de entender a profunda mensagem da estória.
Sheldon: “É um absurdo quem acredita nessa história! Raposas não falam. Raposas não comem uvas. Isso vai contra tudo o que a ciência da Biologia nos revelou até hoje. Além disso, os historiadores mostraram que Esopo não existiu, e que os relatos atribuídos à ele na verdade foram redigidos séculos depois. Quem conta esse tipo de história apenas espalha superstições (raposas falantes, ora esta!) e põe em risco toda a nossa cultura e educação científica!”

É claro que não estou falando do livro de Esopo, mas sim de outro livro de estórias que não é um livro de história. O literalismo fundamentalista é fraco. O literalismo ateísta lembra sintomas da síndrome de Asperger Sheldoniana, é burro e desonesto. Então notamos dois casos de interpretação equivocada da Bíblia.

No primeiro caso, a mãe de Sheldon, é uma literalista fundamentalista, muitas vezes vemos isso com os nossos amigos criacionistas bíblicos, mas mesmo eles, dificilmente encontramos algum que diga que o “dia” de gênesis seja 24 horas, em geral aceitam que foram mil anos ou próximo a isso, vemos assim que mesmo os mais fundamentalistas, ainda são precavidos em algumas passagens bíblicas e procuram uma interpretação alternativa, sugerida pela própria Bíblia.

O Antonio, é o personagem Sheldon, que vê um literalismo absurdo e desdenha de todo o contexto e de toda sabedoria que uma estória pode nos revelar. Antonio e muitos da laia dos neo-ateus, são como o Sheldon da séria “The big bang Theory” que não conseguem estabelecer uma comunicação saudável com ninguém, por não conseguir fazer abstrações, caso parecido com o do Sancho Pança do livro Dom Quixote.
Antonio, com muitos neo-ateus, devem sofrer de um problema mental chamado Síndrome de Asperger, em que não se consegue abstrair mensagens, nem ver além do que uma imagem mostra.

Ensinando um pouco mais sobre a pedagogia bíblica:

Qualquer pedagogo, filósofo, psicólogo ou psicopedagogo que se preze, sabe que o processo de aquisição de conhecimento é feito através da comparação. Quando uma nova informação chega, nós procuramos alguma coisa na nossa memória para que sirva de base para que possa ser guardada uma nova informação. A Bíblia é um livro espetacular, que usa um método moderno de aprendizado, mesmo sendo milenar. Um profeta, para falar sobre algo que o povo não conhecia, ele optara por fazer uma comparação ou referência à aquilo que o povo já conhecia e que já era do senso comum. Quando se trata de coisas espirituais, como são indescritíveis, então a Bíblia usa símbolos para que possa alcançar seus objetivos. No livro de apocalipse, por exemplo, João descreve Jesus assim:

“E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.
E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo;
E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas.”
Apocalipse 1:13-15

Veja que João abusa de comparações, palavras como “semelhante” e “como” são amplamente usadas, o texto não é literal, ele simplesmente não sabia descrever o que viu e tentou demonstrar através de coisas que o povo conhecia na época.

Assim a Bíblia é um livro que representa a cultura de um povo, por isso tem fortes traços da cultura que a escreveu e muitos animais mitológicos faziam parte da cultura hebraica e foram usados na bíblia como forma de comparação, como referência, para que o povo fizesse um maior entendimento da mensagem que fora falada. Veja que Jesus ensina sempre falando em parábolas, essas, estão lotadas de situações do cotidiano, para que quem ouça possa entender, isso porque com uma história ou uma comparação, a mensagem a ser passada se solidifica mais, eu como psicopedagogo, sei muito bem disso.

Um bom exemplo é a palavra Hades, que é usada para se referir ao inferno ou mundo dos mortos. Qualquer estudante do primeiro período de história, filosofia ou teologia, sabe a diferença que há entre o Hades bíblico e o Hades da mitologia grega, no entanto, o Novo Testamento foi escrito em grego, e no grego a palavra que representa o mundo dos mortos é Hades, logo a palavra se tornou adequada para descrever aquilo que o autor está querendo passar, veja que não significa que o autor acredite que o Hades grego exista, e sim, que a analogia é boa para se entender pelo menos parcialmente o que se está tentando descrever.

O que a tradução dos originais tem a nos dizer?

A Bíblia não é a palavra de Deus psicografada, a Bíblia foi inspirada, alguém consegue notar a diferença? Psicografada quer dizer que foi ditada da forma como era para ser escrita, inspirada, quer dizer que Deus se revelou àqueles homens, de forma que eles passaram para o papel aquilo do modo como eles entenderam, com toda a sua limitação e mesmo que os profetas não fossem limitados, o povo era e é limitado, o que exigiria uma série de adaptações para se entregar a mensagem.

Os tradutores também não são perfeitos, podendo errar, ser alvos de críticas e passando por reformas, por isso existem várias traduções e reatualizações das traduções da bíblia. Se o cara não conhece as línguas originais, o melhor que ele faz é comparar diversas traduções.
Devemos discernir o que é erros de tradução e o que é uma comparação.

E os seres mitológicos?

O teólogo Diego Silva, especializado em mitologia comparada, diz o seguinte nesse site:

"Assim como nas mitologias pagãs, que possuem suas próprias coletâneas de mitos, deidades e bestiários, a Bíblia é referência essencial na mitologia judaico-cristã. Na Bíblia é notória a linguagem simbólica, onde representações são utilizadas para denotar uma figuração sobre os personagens principais. Como exemplo disso, temos o Leviatã. O ser é visto com supremacia sobre todas as raças, abaixo somente de Deus, denotando assim , o grande antagonista: O Diabo.
1 "Poderás tirar com anzol o leviatã, ou ligarás a sua língua com uma corda? ... 33,34 Na terra não há coisa que se lhe possa comparar, pois foi feito para estar sem pavor. Ele vê tudo que é alto; é rei sobre todos os filhos da soberba...”
(Jó 41)

Nas lendas judaicas pode ser que o Leviatã tenha advindo do mito de Tiamat, uma deusa da mitolologia babilônica e suméria, que por vezes é descrita como serpente/dragão do mar. As criaturas descritas na bíblia possuem uma origem um tanto obscura e desconhecida. Se observarmos outra passagem no livro de Isaías encontramos:

1 "Naquele dia, o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, a serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão que {está} no mar.”
(Isaías 27)

Na antiga literatura aramaica, o Leviatã era um monstro de sete cabeças, inimigo da ordem criada por Deus. Deste modo, Isaías, está comprando a vitória de Deus sobre os iníquos. Leviatã (Leviathan ou Leviatha) é dado na demonologia como um dos quatro príncipes coroados do inferno. É o monstro marinho bíblico, de enormes proporções e rei de todas as criaturas do mar. Seu nome vem do hebraico, e significa literalmente; Serpente Tortuosa, uma referência tanto a sua natureza animalesca como ao seu aspecto oculto.  Além de ser uma criatura abissal de proporções colossais constata, descrito no livro de Jó, uma série de características que expõe tal ser:

“12 Não me calarei a respeito dos seus membros, nem da sua grande força, nem a graça da sua compostura.
13 Quem descobrirá a face da sua roupa? Quem entrará na sua couraça dobrada?
14 Quem abrirá as portas do seu rosto? Pois ao redor dos seus dentes está o terror.
15 As suas fortes escamas são o seu orgulho, cada uma fechada como com selo apertado.
16 Uma à outra se chega tão perto, que nem o ar passa por entre elas.
17 Umas às outras se ligam; tanto aderem entre si, que não se podem separar.
18 Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pálpebras da alva.
19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.
20 Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente, ou de uma grande caldeira.
21 O seu hálito faz incender os carvões; e da sua boca sai chama.
22 No seu pescoço reside a força; diante dele até a tristeza salta de prazer.
23 Os músculos da sua carne estão pegados entre si; cada um está firme nele, e nenhum se move.
24 O seu coração é firme como uma pedra e firme como a mó de baixo.
25 Levantando-se ele, tremem os valentes; em razão dos seus abalos se purificam.
26 Se alguém lhe tocar com a espada, essa não poderá penetrar, nem lança, dardo ou flecha.
27 Ele considera o ferro como palha, e o cobre como pau podre.
28 A seta o não fará fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em restolho.
29 As pedras atiradas são para ele como arestas, e ri-se do brandir da lança;
30 Debaixo de si tem conchas pontiagudas; estende-se sobre coisas pontiagudas como na lama.
31 As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como uma vasilha de ungüento.
32 Após si deixa uma vereda luminosa; parece o abismo tornado em brancura de cãs.”
(Jó 41)

Ainda em Jó, temos outra criatura presente que perdurou por outras mitologias: O Beemote.
Segundo uma lenda judaica, o Beemote e o Leviatã se enfrentarão no final dos tempos, matando um ao outro, onde que suas carnes serão servidas aos homens que sobreviverem. Observando a lenda, vemos o arquétipo original na luta entre o bem e o mal, Deus e Satanás.

“15.Contempla agora o Beemote, que eu criei contigo, que come a erva como o boi.
16.Sua força está nos seus lombos, e o seu poder, nos músculos do seu ventre.
17.Endurece a sua cauda como cedro; os tendões das suas coxas estão entretecidos.
18.Os seus ossos são como tubos de bronze, o seu arcabouço, como barras de ferro.
19.Ele é obra-prima dos feitos de Deus; quem o fez o proveu de espada.
20.Em verdade, os montes lhe produzem pasto, onde todos os animais do campo folgam.
21.Deita-se debaixo dos lotos, no esconderijo dos canaviais e da lama.
22.Os lotos o cobrem com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.
23.Se um rio transborda, ele não se apressa; fica tranqüilo ainda que o Jordão se levante até à sua boca.
24.Acaso, pode alguém apanhá-lo quando ele está olhando? Ou lhe meter um laço pelo nariz?”
(Jó 40)

O livro de Jó é permeado de seres do imaginário fantástico. O que nos leva a entender que quando Deus se apresenta a Jó e faz diversas indagações sobre o mundo animal, Deus utiliza-se das grandes feras e animais supostamente fantásticos para denotar a força ou invencibilidade para seu servo Jó.

“9 Querer-te-á servir o unicórnio ou ficará ele na tua cavalariça?
10 Ou amarrarás o unicórnio ao rego com uma corda, ou estorroará após ti os vales”
(Jó 39)

Na cultura medieval o unicórnio é visto como símbolo de poder e pureza, que é nitidamente expresso na presença do único chifre. Na china antiga o unicórnio representa a realeza e as virtudes régias. Nos trechos citados, fica clara, a intenção de Deus em evidenciar a Jó que se nem um ser tão forte e perfeito pode ser subjugado, quanto mais a força divina.

Se analisarmos o contexto mitológico empregado na bíblia, vemos que alguns dos seres citados carregam simbologias associadas ao bem e ao mal. Enquanto o Leviatã, por exemplo, é o grande antagonista, o Beemote e o Unicórnio são considerados utópicos seres majestosos do reino animal. De igual maneira, o Basilisco evoca o parecer maléfico e tudo que é associado ao negativismo:

5 "Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha: o que comer dos ovos deles morrerá; e, apertando-os, sai deles uma víbora.”
(Isaías 59)

No trecho acima, Deus fala ao povo através de Isaías, usando de figurações maléficas a respeito da rebelião de judá. É evidente que o pecado é comparado com a temível criatura: O Basilisco. Nos tempos medievais tal ser foi muito usado na heráldica para representar as forças ocultas e lendas corriam por toda Europa. Nas versões mais conhecidas, o Basilisco, era um réptil fabuloso que matava com um simples olhar, ou só com o hálito, nascido de um ovo de galo chocado por um sapo ou rã. Fato é que em algumas traduções das lendas, comparam o Basilisco à Górgona, cuja visão bastava para causar a morte. Arquétipos de inimigos são o que não faltam na mitologia judaico-cristã. Em muitos trechos da bíblia vemos serpentes, víboras e junto com o Basilisco também está o Dragão.

9 "E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.”
(Apocalipse 12)

De certo que aí está associação mais evidente do mal. O dragão e Satanás. A cultura cristã foi a que mais influenciou a visão dos dragões na idade moderna. O controle total do mal, segundo as escrituras, só se dará por completo quando o grande dragão for lançado ao abismo e trancafiado no juízo final. Não obstante fugindo um pouco dos símbolos específicos oriundos do bem e mal, existem seres amplamente difundidos nas mitologias e conhecidos em diversas literaturas. Em algumas traduções da bíblia, a Fênix é citada claramente em Jó:

“Eu dizia: Morrerei em meu ninho, meus dias serão tão numerosos quanto os da fênix.”
(Jó 29)

A passagem citada acima foi tirada da tradução da bíblia católica, sendo que em outras traduções, a palavra Fênix seria substituída por pó ou areia. O sentido usual de chol (חול) em hebraico é "areia". A interpretação como "fênix" (que, na tradição judaica, vive mil anos) deve-se a uma tradição repetida pelo rabino francês Shelomo Yitzhaki, do século XI, provavelmente influenciada pela presença da palavra "ninho". A outra tradução deve-se à ambigüidade da palavra grega phoinix, que significa tanto "palmeira quanto "fênix": Segundo a tradição, a ave fazia seu ninho na palmeira. Ainda há outra passagem que não cita expressamente o ser, mas na descrição percebemos semelhanças inegáveis entre a fênix das mais diversas mitologias e o pássaro descrito:

3 “E disse: Assim diz o Senhor Jeová: Uma grande águia, de grandes asas, de farta plumagem, cheia de penas de várias cores, veio ao Líbano e levou o mais alto ramo dum cedro.
(Ezequiel 17)

Assim como a fênix descrita nas literaturas, era uma grande ave de penas multicolores e pousava seu ninho sobre a palmeira ou cedro que eram coníferas: Símbolo de imortalidade que sempre foi associada à ressurreição da fênix. As referências nos antigos mitos gregos vão além da fabulosa fênix. Existem ainda outros seres que permeavam a mitologia do mundo clássico, sendo que, estes, estavam intrinsecamente ligados.

14 “E os cães bravos se encontrarão com os gatos bravos; e o sátiro clamará ao seu companheiro: e os animais noturnos ali pousarão, e acharão lugar de repouso para si.”
(Isaías 34)

7 “Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos sátiros, com os quais se prostituem. Esta será para eles uma lei perpétua de geração em geração.”
(Levítico 17)

21 “Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão de horríveis animais; e ali habitarão as avestruzes, e os sátiros pularão ali”
(Isaías 13)

Nas traduções do Antigo Testamento, o termo "sátiro" é às vezes usado como tradução do hebraico se'irim, "peludos",que pode se entender por "demônios" ou "bodes". No folclore dos antigos hebreus, se'irim era um tipo de daimon ou ser sobrenatural que habitava lugares desolados. Existe uma alusão à prática de realizar sacrifícios aos se'irim em Levítico, 17:7. Essas entidades podem estar relacionadas ao “azabb al-akaba”, ou demônio peludo, das lendas árabes. Nos mitos gregos e romanos, os sátiros eram parte homem, parte bode, sendo considerados espíritos das montanhas. Eram filhos dos bodes com as ninfas, os sátiros eram conhecidos por perseguirem as ninfas pelos bosques. Aliás falando em ninfas, espíritos femininos da natureza, também existe uma citação de tal ser nas escrituras:

15 “Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa.”
(Colossenses 4)


Não sabemos até que ponto as traduções bíblicas tendem a ser influenciadas por traços mitológicos. As ninfas em algumas traduções das lendas gregas, são consideradas fadas, porém sem asas. Estando ligadas a um local específico ou objetos. Fato é que, no trecho citado não se pode afirmar qual o real significado da palavra ninfa. Estudiosos sugerem que seja um nome próprio e não uma divindade menor. De certo que morreremos com a dúvida se nesta passagem existe ou não tal ser fantástico.”


CONCLUSÃO

Explicamos, no texto, que na bíblia tem comparações, referências e podem ter também erros de tradução.

Mostramos também que essa é a melhor forma de fixar determinado conhecimento na memória.

A Bíblia foi escrita durante várias épocas e é um documento onde mostra a história e cultura de um povo, nela encontramos desde a mitologia judaica, poesia, costumes, táticas de guerra e os locais por onde eles passaram, logo, não é de se admirar que haja a presença de mitologia na Bíblia. Isso torna a Bíblia falsa? De forma alguma, não há porque pensar nisso, só porque há um exemplo da crença judaica da época na Escritura isso vai invalidá-la? Pelo contrário, isso só mostra que foi o próprio povo judeu que escreveu e que ela foi feita realmente pelos povos que diz ter sido autora dela, pois mostra fielmente a cultura desses povos.

Também foi dito no vídeo: "demônios não existem!" Gostaria muito que o Antonio pudesse provar a sua alegação. Esperarei sentado!

Perguntas para a conclusão: como um livro escrito por Hebreus, ter a cultura dos Hebreus escrito nele faz com que esse livro seja falso? Não é de se esperar que um livro escrito por Hebreus haja referência a cultura hebraica?


Por Francisco Tourinho

10 de novembro de 2013

Respondendo à afirmações falaciosas sobre TDI


Afirmação 1: DI não é ciência pois não sabemos quem é o Designer nem sabemos como foi construído!

A TDI não se importa com quem é o designer, podemos sim estudar como as coisas são construídas e fazer inferências quanto a isso, o que já é feito. O objetivo principal da TDI é detectar se o design existente na natureza é produto de uma mente inteligente ou não, isso não quer dizer que tudo foi projetado, mas que existem pelo menos algumas estruturas que foram projetadas sem dúvida, como exemplo são citadas o flagelo bacteriano e o DNA.

Muitas construções antigas, ainda continuam um mistério a respeito de como foi feita a sua construção, ou para que servia, como o stonehenge, pirâmides e muitos outros. Agora é interessante saber como a ignorância com relação a sua forma de criação ou a quem os criou influem em dizer que eles não foram criados? Ou a gente sabe que eles foram criados por causa dos padrões de complexidade especificada que eles exibem?

Afirmação 2: TDI não é ciência porque trata com o sobrenatural, o Designer é sobrenatural!

Errado! Existem agnósticos como o biólogo molecular Michael Denton e o matemático David Berlinski que são signatários do Discovery Institute, eles entenderam que o Designer não precisa ser o deus de nenhuma religião, pode até mesmo ser uma civilização extra-terrestre.
Na verdade, esse argumento é uma variação do argumento falacioso “TDI é religião disfarçada de ciência” enquanto o biólogo agnóstico Michael Denton é claro ao dizer:

“Pelo contrário, a inferência do planejamento  é uma indução puramente a posteriori [após examinar-se as evidências] baseada numa aplicação inexoravelmente consistente da lógica e da analogia. A conclusão pode ter implicações religiosas, mas não depende de pressuposições religiosas.”
(Evolution, A Theory in Crisis (Bethesda, MD: Adler and Adler, 1986) p. 341).

Uma boa pergunta a se fazer à alguém que usa esse argumento - é o que é sobrenatural para você?

Antigamente para o homem, trovões e raios eram sobrenaturais, isso porque eles não entendiam o que eram, e a isso eles chamavam de sobrenatural. Isso não mudou, todos os seres humanos, independentes de sua corrente filosófica ou o tipo de conhecimento que se queira usar para adquirir o saber compartilham desse problema, a ciência não é diferente, ela compartilha desse problema ainda hoje. Vejam o exemplo:


Imagina que a milhões de anos-luz daqui, existe uma civilização muito mais avançada do que nós. Eles avançaram tanto o seu conhecimento que descobriram como não morrer, prolongando assim a vida de células de forma indeterminada, ou seja, são eternos!

Também aprenderam a burlar as leis da física, pois descobriram uma lei universal do tipo a que Einstein queria e desvendaram muitos segredos e agora eles conseguem voar e usar armas que nós nem sequer imaginamos. Isso para ciência, seria sobrenatural ou não?

Aguarde sentado a resposta, certamente ela não virá, simplesmente porque cientificistas não vão admitir que o que eles chamam de sobrenatural é apenas o que eles não entendem, assim se esquivam dizendo que não é do seu escopo!


CONCLUSÃO

A TDI é aplicada em vários campos da ciência, como a criptografia, ciência forence, proteção a propriedade intelectual, busca de vida extra-terrestre(projeto SETI), arqueologia, etc. Para alguém afirmar que TDI não é ciência, terá primeiro que provar que todos esses campos não são científicos.


A maior parte das afirmações sobre TDI que estão por aí em sites evolucionistas são frutos da falta de conhecimento, para se ter ideia, o indivíduo pode ser adepto da TDI e ser evolucionista, como o caso de Michael Behe. Como diria o senador Mão Santa: “a ignorância é audaciosa”


Para saber mais sobre o que a TDI:

9 de novembro de 2013

Entendendo um pouco a TDI: A complexidade especificada.

O conceito TDI pode ser definido como "o estudo de inferências justificadas para um Designer", isto é, tenta responder a seguinte questão: quando nós estamos justificados em inferir que um designer é a melhor explicação para um fenômeno?

A TDI é aplicada em vários campos da ciência, como a criptografia, ciência forense, proteção a propriedade intelectual, busca de vida extra-terrestre(projeto SETI), arqueologia, etc. Para alguém afirmar que TDI não é ciência, terá primeiro que provar que todos esses campos não são científicos.

Uma das mais sofisticadas descrições de inferência de designer vem de Dembski.

Para Dembski, “quando agentes inteligentes realizam coisas, eles muitas vezes deixam para trás uma marca registrada ou assinatura de design. Essa assinatura consiste de duas características:

1- a coisa projetada é complexa, e

2- ela se encaixa em dado padrão independente – usando o termo técnico, ela é especificada.”1

Para Dembski, quanto maior a complexidade de algo, menor a possibilidade desse algo ter surgido por acaso, logo, a premissa 1, pode ser definida também como:

1- um evento altamente improvável de acontecer por acaso.

Ou seja, não basta à coisa ser complexa, nem mesmo ter uma mensagem específica, mas tem que reunir as duas condições.

Eu chamo a atenção para a seguinte foto:



De cara, vc conhece o que é resultado de processos naturais e o que é de processos inteligentes, a pergunta é porque?

Veja que há uma complexidade bem específica na foto da direita, onde os rostos dos presidentes estão presentes. Olhe a foto e veja que os rostos de 4 presidentes norte-americanos aparecerem por acaso é um fenômeno altamente improvável e obedece que há um padrão independente, ou seja, obedece as duas premissas que Dembski estabelece, e qualquer observador em sã consciência chega a conclusão que de fato, é resultado de processos inteligentes e isso é perfeitamente falseável e o exemplo prático mostra isso.

Vamos na foto mais um exemplo:


Veja que dependendo do ângulo que essa formação rochosa seja observada, ela parece com um rosto humano, no entanto você conhece alguém que olhe para esse exemplo e diga que há ali sinal de inteligência? Veja que há uma certa complexidade, mas não há especificidade. Esse é o grande erro dos desafiadores da TDI, eles imaginam que o argumento se resuma simplesmente a “enxergar um elefante em uma nuvem”, é claro que isso está a anos-luz do que é a inferência de design. Para não cometer esses erros, os proponentes do DI dividiram os objetos em várias categorias:

             1- Aquilo que parece projetado e foi projetado: caso dos presidentes na rocha.

2-  Aquilo que parece projetado e não foi projetado:

3-  Aquilo que não parece projetado, mas foi projetado: caso de artefatos arqueológicos que muitas vezes parecem não ter sido projetado. Abaixo uma ferramenta do período paleolítico:



                 4- Aquilo que parece não projetado e realmente não foi projetado:

       


O algoritmo serve para isso, para que não nos enganemos com essas proposições, tudo isso já é previsto na fórmula da complexidade especificada.

Veja que os exemplos 1 e 4 não apresentam problemas, se algo é projetado e parece projetado ou algo não é projetado e parece não é projetado, então a aparência corresponde a realidade, no entanto, não parece ser tão fácil lidar com o exemplo 2 e 3, pois com elas, as aparências enganam, pelo menos ao observador destreinado. O desafio dos proponentes do design é distinguir a aparência da realidade.

"O sol parece nascer no leste e se pôr no oeste, mas na verdade a Terra gira sobre seu próprio eixo, enquanto gira em torno do sol. É vital manter um ceticismo saudável quanto às aparências.

Ao mesmo tempo, não se pode ser um ceticismo indiscriminado. Às vezes a aparência corresponde a realidade. Durante um eclipse solar, a Lua parece estar mais próxima de nós do que o Sol, e está mesmo. Nesse caso, aparência e realidade estão de acordo. Para distinguir aparência de realidade, o bom investigador deve permanecer aberto a várias possibilidades e seguir as evidências"²

Essa divisão derruba a proposta dos evolucionistas que costumam fazer comparações com os cristais de gelo ou esculturas naturais. O algoritmo desenvolvido por Dembski abarca todas essas possibilidades.

Terceiro exemplo:

- Vc tem a sequencia de letras - abcdabcdabcdabcdabcd...

A princípio, a primeira linha é ordenada, mas é bastante simples a sua maneira. É uma repetição da ordem de abcd, informação que os teóricos chamam de informação compreensível. Parece complexa, à primeira vista, mas quando a comprimimos vemos que é simples e não podemos de cara atribuir inteligência para isso porque esse padrão repetitivo significa que ela poderia ter sido causado por algum tipo de lei natural e não pelo design.

- Agora nós vemos a frase - "Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá."

Veja que a segunda linha, também é ordenada, mas ela é complexa e o "padrão dela é independente", ela atende as duas exigências - é um evento altamente improvável de acontecer ao acaso e o padrão dado é independente, ou seja, é bem específico.

O que os proponentes do DI dizem que a inferência de design está garantido no campo da biologia, pois organismo biológicos atendem as condições citada por eles. Um caso bem claro disso é o nosso DNA, onde a informação é complexa e específica.

Teóricos do Design Inteligente afirmam que o design inteligente é detectável.

 Estou deixando um site com vários artigos sobre a complexidade especificada, para que possam avaliar por vocês mesmos direto da fonte:
http://www.evoinfo.org/index/


CONCLUSÃO

Você seria capaz de afirmar de todo seu coração a seguinte expressão - "não é nem mesmo logicamente possível que algumas coisas na natureza tenham sido projetadas, e mesmo que algumas coisas tenham sido, não é logicamente possível que tais coisas tenham evidências de terem sido projetadas."?




REFERÊNCIAS

1- DEMBSKI, William A; WITT, Jonathan. Design Inteligente sem censura-um guia prático para o debate. São Paulo:Cultura Cristã, 2012. Pag.55.
2- Ibid. Pag.36


Por Francisco Tourinho