26 de outubro de 2013

Um Ateu Garante - DEUS EXISTE





"Famoso ateísta agora acredita em Deus: um dos maiores ateístas do mundo agora acredita em Deus, mais ou menos baseado em provas científicas." Esse era o título de uma matéria da Associated Press publicada no dia 9 de novembro de 2004, que dizia: "Professor de filosofia inglês, um dos maiores defensores do ateísmo há mais de meio século, mudou de idéia. Ele agora acredita em Deus, mais ou menos baseado em provas científicas,como afirma em um vídeo exibido na quinta-feira". Quase imediatamente, o anúncio tornou-se um acontecimento da mídia,causando uma enxurrada de reportagens e comentários em todo o mundo, no rádio e na televisão, nos jornais e em sites da Internet.A matéria ganhou tal força que a Associated Press (AP) publicou dois anúncios subseqüentes relacionados ao original. O assunto da matéria e de muita especulação posterior era o professor Antony Flew, autor de mais de trinta obras filosóficas, que durante cinqüenta anos defendeu os princípios do ateísmo. Seu artigo, Theology and Falsification, apresentado em uma conferência no Socratic Club da Universidade de Oxford, em 1950, presidida por C. S. Lewis, tornou-se a publicação filosófica mais reimpressa do último século. E agora, pela primeira vez, ele faz um relato dos argumentos e das provas que o levaram a mudar de idéia. Em certo sentido, este livro representa o resto daquela matéria.

Tive uma pequena participação na matéria da AP porque ajudei a organizar o simpósio que resultou no vídeo em que Tony Flew anunciou o que ele mais tarde, com muito bom humor,chamou de sua "conversão". Na verdade, desde 1985, eu ajudara a organizar diversas conferências nas quais ele apresentava sua defesa do ateísmo, de modo que esta obra é, para mim pessoalmente, o fim de uma jornada iniciada duas décadas atrás.De modo curioso, a reação dos colegas ateístas de Flew à matéria da AP beirou a histeria. Um site dedicado ao ateísmo deu a um correspondente a tarefa de fazer relatos mensais sobre o afastamento de Flew da verdadeira crença. Insultos e caricaturas tornaram-se comuns na blogosfera livre-pensadora. As mesmas pessoas que reclamavam da Inquisição e da condenação de bruxas à fogueira estavam agora entregando-se a sua própria caça à heresia.

 Os defensores da tolerância não eram muito tolerantes. E,aparentemente, o dogmatismo, a incivilidade, o fanatismo e a paranóia não são monopólio de zelotes religiosos.

Mas turbas enfurecidas não podem reescrever a história. E aposição de Flew na história do ateísmo transcende qualquer coisa que os ateístas de hoje têm para oferecer.


CONCLUSÃO

Mais um livro escrito por um ex-ateu, é o testemunho de alguém que saiu do seu sono dogmático. Leitura indicada, não só para os teístas, mas principalmente para os neo-ateístas, com o objetivo de confrontar as suas posições e conhecer um pouco de como funciona o raciocínio teísta.


Referências

1-
http://www.scribd.com/embeds/8741262/content?start_page=1 (link para o livro)


Por Francisco Tourinho

6 de outubro de 2013

Como Não Fazer Ciência

Um artigo publicado na revista Science trouxe uma notícia muito ruim, principalmente para cientificistas é claro, mas a verdade é que a comunidade acadêmica em geral deverá ficar triste com esse tipo de notícia. Um biólogo/jornalista chamado de John Bohannon escreveu um trabalho falso sobre as propriedades anticancerígenas, com resultados totalmente forjados ele enviou o trabalho para mais de 300 revistas científicas de acesso aberto em todo mundo. Acreditem se quiser, mas mais da metade das revistas aceitaram o trabalho para publicação, e o pior era que não só os dados, mas também o nome do autor e da sua instituição era falso.


Casos como esses têm sido cada vez mais frequente no meio científico, o que nos faz pensar até onde a credibilidade dos dados de trabalhos publicados nessas revistas é de fato confiáveis. Há poucos dias foi publicado um caso de escândalo em revistas brasileiras onde as fontes eram cruzadas para que os cientistas ganhassem em citações, havia um acordo entre as revistas e uma citava a outra para ter popularidade, agora imagina o nível dos trabalhos!?






Além desses casos, ano passado, foi descoberto que o anestesista Japonês  Yoshitaka Fujii, forjou parte dos dados em 212 artigos de um total de 249, e em 129 artigos, os dados foram totalmente inventados. Fujii começou a forjar dados em 1993 e ainda hoje encontramos referências a seus artigos em estudos atuais. O engraçado é que a primeira denúncia aos trabalhos de Fujii foi no ano 2000, mas somente 12 anos depois a é que a revista Anesthesia & Analgesia publicou um editorial sobre uma possível fraude nos artigos de Fujii. Trocando em miúdos, 12 anos se passaram, seus artigos foram usados como base para outros artigos e esses artigos como bases para outros, tonando-se assim, um verdadeiro câncer, saber até onde foram os danos ainda é difícil.


Vejam também o caso do professor da USP demitido por plágio.


Para o jornalista Maurício Tuffani, a Revista "Nature" faz publicações sem revisão por pares por motivos comerciais:


"Isso se torna muito mais grave com o fato de que essas duas respeitadas revistas, assim como muitos outros periódicos científicos, cobram dos autores milhares de dólares para publicar um artigo e, das instituições em que eles trabalham, dezenas de milhares ou até centenas de milhares de dólares para o acesso pela internet aos estudos publicados."


A Nature teria publicado uma retratação na última quarta-feira (02/07/14) onde dizia-se ter encontrado “vários erros críticos” e que foi publicado na sua edição no dia 29 de janeiro (2014) tendo como resultado a má-conduta de autores dos quais o próprio Instituto Riken reconheceu ter acontecido.

CONCLUSÃO

Bom seria se a corrupção fosse somente na política, mas vemos que onde está a mão humana ali há corrupção, o pior de tudo é que ainda tem gente (inocente ou se faz de doido), que acredita que a ciência é imparcial, não tem nacionalidade, preconceitos, ou seja, a toda poderosa ciência. Antes fosse! O problema é a politicagem, a luta por cargos e um nome reconhecido, ironicamente o mesmo problema que acontece nas Igrejas, onde vale tudo em nome de um cargo e para fazer parte do Alto Clero.

Outro problema é que esses escândalos estão aparecendo justamente em um momento em que os cientistas estão lutando contra o monopólio de grandes revistas, que publicam artigos fechados e cobram assinaturas com preços exorbitantes, mas se continuar assim, a popularização da ciência ficará a cada dia mais longe.


Por Francisco Tourinho