14 de setembro de 2013

O que é Filosofia?

Esse texto é de particular importância, tenho tido alguns dissabores com alguns cientificistas que acreditam que filosofia para nada serve, ou que pela filosofia tudo se pode provar, ou que o conhecimento científico é superior ao filosófico, ledo engano. Recomendo que leia meu texto sobre os tipos de conhecimento, assim fica mais fácil à compreensão.

O primeiro a usar o termo foi Pitágoras no século VI a.C., a palavra Filosofia, vem da junção de duas palavras gregas que significam:

FILO=AMOR/AMIZADE
SOPHIA=CONHECIMENTO/SABEDORIA

Filosofia é amor ao conhecimento e filósofo é aquele que ama o conhecimento, o filósofo é por definição um questionador, nesse aspecto, todos nós temos um pouco de filósofo.
O nosso cotidiano é feito de perguntas simples (ex.: que horas são?), de desejos, de negações, aceitações, de expressões e conceitos previamente definidos e aceitados pela sociedade (ex.: “onde há fumaça, há fogo” ou “não saia na chuva para não se molhar”).

Nossa vida é feita de crenças silenciosas, de aceitações óbvias e que nunca são questionadas. Segundo Marilena Chauí:
Cremos no espaço, no tempo, na realidade, na qualidade, na quantidade, na verdade, na diferença entre realidade e sonho ou loucura, entre verdade e mentir; cremos também na objetividade e na diferença entre ela e a subjetividade, na existência da vontade, da liberdade, do bem e do mal, da moral, da sociedade.”1 p8

É verdade que temos várias verdades estabelecidas sem nunca questionarmos, um exemplo clássico é o nome das cores, quem disse que o azul e azul? Ou que o verde é o verde? Aceitamos isso sem questionarmos e sem ter a certeza de que o verde que enxergo é o mesmo que a outra pessoa enxerga. No entanto, no tocante a essas imposições, imagine questionar as imposições sociais de regras, condutas, valores e verdades socialmente construídas e aceitas?

E se alguém começasse a fazer perguntas inesperadas que fizesse com que essas verdades fossem questionadas?

Se ao invés de afirmar “onde há fumaça há fogo, que é uma expressão de causa e efeito, fosse feito o questionamento “o que é causa?” ou “o que é feito?”

Assim, a medida que nos afastamos das expressões prontas, abre-se o espaço para os questionamentos, esses questionamentos podem nos distanciar da verdade anteriormente estabelecidas ou pode nos aproximar dela, a medida que entendemos como determinados mecanismos funcionam. Para efeito de estudo, as expressões prontas, vindas de uma observações superficial, tem se como resultado o conhecimento popular ou senso comum. A filosofia começa com que chamamos de “atitude filosófica”.

O que é filosofia então?
“A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigados e compreendidos.”2

Como eu ia dizendo anteriormente, a filosofia começa com a “atitude filosófica” e com a reflexão filosófica.
A atitude filosófica é quando nos perguntamos "o que é? Como é? porque é?" dirigindo-se ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam. São perguntas sobre a essência, a significação ou estrutura e a origem das coisas.

Já a reflexão filosófica indaga: Por que? Para que? dirigindo-se ao pensamento, aos seres humanos, no ato da reflexão. São perguntas sobre a capacidade e a finalidade humanas para conhecer e agir.

Então podemos dizer que o pensamento começa com a dúvida e a dúvida com as perguntas, assim, não seria prepotência nenhuma afirmar que a Filosofia é a mãe de todas as ciências e também o mais importante dos  conhecimentos, veja o que mais uma vez Chauí diz:
“Ora, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas acreditam na existência da verdade, de procedimentos corretos para bem usar o pensamento, na tecnologia como aplicação prática de teorias, na racionalidade dos conhecimentos, porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados.
Verdade, pensamentos, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciências, são questões filosóficas.    O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas pra elas.
Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da Filosofia, mesmo que o cientista não seja filósofos. No entanto, como apenas os cientistas e filósofos sabem disso, o senso comum continua afirmando que a Filosofia não serva pra nada.”3

Mesmo assim, é importante deixarmos bem claro, na relação entre filosofia e ciência, que “a filosofia não é ciência: é uma reflexão crítica sobre procedimentos e conceitos científicos. Não é religião: é uma crítica sobre as origens e formas das crenças religiosas. Não é arte: é uma interpretação crítica dos conteúdos, das formas, das significações das obras de arte e do trabalho artístico. Não é sociologia nem psicologia, mas a interpretação e avaliação crítica dos conceitos e métodos da sociologia e da psicologia. Não é política, mas interpretação, compreensão e reflexão sobre a origem, a natureza e as formas de poder. Não é história, mas interpretação no sentido dos acontecimentos enquanto inseridos no tempo e compreensão do que seja o próprio termo. Conhecimento do conhecimento e da ação humanos, conhecimento da transformação temporal dos princípios do saber e do agir, conhecimento da mudança das formas do real ou dos seres, a Filosofia sabe que está na História e que possui uma história.”4 


CONCLUSÃO


“Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes”5


REFERÊNCIAS

1- CHAUÍ, Marilena, Convite a Filosofia. Ática. São Paulo.2000.Pag 8.
2- ibid pag 9
3- ibid pag 10
4- ibid pag 16