19 de junho de 2013

Sou Contra o Aborto e Não Preciso de Teologia para Isso




 Apesar de outros textos escritos sobre aborto aqui no blog, esse vai ser o primeiro de uma série denominada "Sou contra o aborto e não preciso de teologia para isso", a temática é simples, os argumentos para a não legalização do aborto são tão abundantes que nem precisamos apelar para teologia, além disso, falar de teologia com quem defende o aborto, em geral, termina o teólogo jogando pérolas aos porcos. Mas vamos ao texto.

Um dos argumentos usados pelos apologistas do aborto é o clássico: "Mas existem os casos de estupro e os fetos  anencéfalos!"

Quando ouço os argumentos acima, sempre me vem a mente quando o senador Mão Santa diz: - "A ignorância é audaciosa!" É bem verdade Mão Santa, a ignorância de fato é muito audaciosa. Primeiro lugar, não existe um estudo que diga quantos são os casos de aborto que são causados tendo como justificativa o estupro ou anencefalia. Segundo, que a nossa atual lei, prevê o aborto em casos de estupro e anencefalia!

Aí você me diz: sério que uma mulher, que engravidar decorrente de uma relação sexual forçada, pode fazer o aborto legalmente? É sério que uma mulher, que estiver grávida de um feto anencéfalo, poderá legalmente fazer aborto? Respondo a você que SIM!

Mas poderíamos perguntar: por que os militantes do aborto usam isso como justificativa em seus argumentos?

Várias hipóteses poderiam ser levantadas a essa questão, a primeira é a ignorância mesmo, a maioria é um bando de papagaios que querem parecer inteligentes e "da hora" defendendo o aborto, pois se não for assim, serão tidos como os religiosos amantes da vida e não poderia haver vergonha maior que parecer religioso. A segunda é sujeira intelectual mesmo. E por último, a conclusão é óbvia, os motivos para a legalização do aborto estão longe de ser bem intencionados e de fato nunca foram esses. Em outro post, falarei sobre os reais motivos dos defensores da morte para a legalização do aborto, por enquanto, vamos à lei:
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54)
Pena - detenção, de um a três anos.

Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)
Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência

Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Veja a parte em negrito, está totalmente claro a isenção de pena em caso de estupro.

Agora vamos para o acordão da ADPF para os casos de anencefalia: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204863


CONCLUSÃO

A lei já defende o aborto em casos de estupro e anencefalia, a única conclusão razoável que podemos chegar ao analisar o porquê dos apologistas do aborto fazerem tanto uso desses casos para justificar suas práticas, é que os motivos nunca foram esses, ou simplesmente ignorância, dão murros em ponta de faca e socos ao vento, usando um argumento totalmente ultrapassado para defender uma prática injustificável.

Por Francisco Tourinho

1 de junho de 2013

Tipos de Conhecimento


É importante sabermos discernir os tipos de conhecimento, para não misturá-los na hora errada e para sabermos complementar um saber com o outro à medida que sabemos que todos os tipos de conhecimento almejam um único objetivo: a Verdade.

O que é conhecimento? Falaremos hoje sobre os tipos de conhecimento. É importante sabermos discernir os tipos de conhecimento, para não misturá-los na hora errada e para sabermos complementar um saber com o outro à medida que sabemos que todos os tipos de conhecimento almejam um único objetivo: a Verdade.

O que é conhecimento? “Conhecimento é a relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer.”[1]

Para conhecer o mundo e explorá-lo, foram criados vários métodos, desde a antiguidade até os dias atuais. Os principais modos de conhecer o mundo e suas formas de abordagens para se chegar ao conhecimento verdadeiro são: O conhecimento teológico, popular, filosófico e científico. Para cada um deles existem os critérios de verdade e uma metodologia. Vale ressaltar que nenhum tipo de conhecimento é o único caminho de acesso à verdade, e que o mesmo objeto ou fenômeno, pode ser matéria de observação dos quatro tipos de conhecimento, e muitas vezes eles se entrelaçam, auxiliando um ao outro na descoberta do que é verdade. 


TIPOS DE CONHECIMENTO

Conhecimento Popular: Diz respeito àquilo que pode se observar no dia-a-dia, no entanto, não dispõe de um método de investigação do fenômeno, baseando-se somente na experiência própria, ou no que foi já passado pelos familiares, sendo muitas vezes fruto de uma tradição. Conforma-se com a aparência, com que se ouviu dizer, mas não é um conhecimento cego e baseado em fé, ele é verificável, haja vista que é fruto da observação.

Conhecimento Filosófico: “seu ponto de partida consistem em hipóteses, que não poderão ser submetidas à observação”[2], ou seja, enquanto o conhecimento científico trabalha com o mundo material, concreto e perceptível aos sentidos e usa instrumentos materiais para isso, o filósofo se utiliza puramente da razão, pois trata de questões metafísicas(imateriais, abstratos), questões éticas(certo e errado), e tenta responder as principais perguntas do homem: De onde viemos? Para onde vamos? Como o conhecimento filosófico trabalha sumariamente com coisas abstratas, como a mente humana, Deus, belo, ética etc. que não podem ser experimentadas materialmente, o conhecimento filosófico não exige uma confirmação experimental, mas exige que o pensamento seja racional e coerente com a lógica. 

Conhecimento Religioso: Baseado na fé e nas verdades reveladas(livros sagrados) através do sobrenatural. As verdades são consideradas imutáveis, no entanto, embora se tenham dito que o conhecimento religioso é indiscutível, isso tem caído com o decorrer da história, onde vemos a Igreja mudar de posicionamento, com o fim de adaptar-se com as novas realidades, sobretudo ao conhecimento científico, cabendo novas interpretações dos escritos sagrados. As evidências não são verificáveis, são frutos da experiência pessoal, por isso, inquestionáveis. No conhecimento religioso, podemos questionar a interpretação das palavras sagradas, mas nunca a validade da própria palavra, o revelador nunca está errado, mas sim quem interpreta a revelação.

Conhecimento Científico: É baseado na experiência e não somente na razão, como o filosófico, essa experiência não pode ser pessoal, como no conhecimento popular e religioso, deve ser fruto de um método, chamado científico, e estuda o mundo material, não se atendo a metafísica e sobrenatural. Assim como na filosofia, a ciência também tem hipóteses, com a diferença que essas hipóteses têm sua veracidade ou falsidade verificada através da experiência comprobatória, não somente através da razão. Logo, o conhecimento científico faz uso da razão, lógica e da experiência factual. O seu calcanhar de Aquiles é a falseabilidade(teste sistemático para verificar se uma hipótese é verdadeira ou falsa). Não é um conhecimento infalível e é aproximadamente exato; novas técnicas podem surgir a fim de verificar melhor uma hipótese ou teoria, podendo acrescentar, invalidar ou confirmar o acervo de uma teoria existente. 


CONCLUSÃO

Não há método de conhecimento melhor do que outro, o que há são situações em que um conhecimento vai ser mais apropriado do que outro, e até mesmo ser complementares. “Apesar da separação metodológica entre os tipos de conhecimento popular, filosófico, religioso, e científico, no processo de apreensão da realidade do objeto, o sujeito cognoscente(indivíduo que conhece) pode penetrar nas diversas áreas: ao estudar o homem, por exemplo, pode-se tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade, baseada no senso comum ou na experiência cotidiana; pode-se analisá-lo como um ser biológico, verificando, através de investigação experimental, as relações existentes entre determinados órgãos e suas funções; pode-se questioná-lo quanto a sua origem e destino , assim como à sua liberdade; finalmente, pode-se observá-lo como ser criado pela imagem e semelhança, e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados.
Por sua vez, estas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista, voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser crente praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos de sua vida cotidiana, agir com conhecimentos provenientes do senso comum.”[3]


REFERÊNCIAS

1-  http://www.mundodosfilosofos.com.br/vanderlei22.htm#ixzz2V22AWCMR
2- LAKATOS, E.M., MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2003.
3- Ibid 2


Por Francisco Tourinho