30 de janeiro de 2013

A Física Quântica Contradiz o Argumento Cosmológico?


A resposta é não! Tenho ficado bestificado com a falta de conhecimento de alguns com relação aos argumentos teístas sobre as evidências a respeito de Deus.

Um deles é o argumento cosmológico que se configura da seguinte forma:
• (p1) Tudo que começa a existir tem uma causa.
• (p2) O Universo começou a existir.
• (c) O Universo tem uma causa.

P2 - O Universo começou a existir.

Esse argumento se baseia na forma padrão da teoria do Big Bang, para ser formulado. Segundo essa teoria (diga-se de passagem que é a única cientificamente cogente, as outras são meras especulações não falseáveis e passam longe do princípio da obrigação epistêmica).

Duas referências quanto as implicações do Big Bang:
"Na singularidade, o espaço e o tempo vieram para a existência; literalmente nada (N.T.: i.e., em termos físicos) existia antes da singularidade, então, se o Universo realmente tiver se originado a parti de tal singularidade, essa seria realmente uma criação ex nihilo (Barrow and Tipler 1986, p. 442) (1)

Como também explica o físico Paul Davies, “o surgimento do universo, como discutido na ciência moderna [...] não é apenas uma questão sobre impor algum tipo de organização [...] a um estado incoerente anterior, mas trata-se literalmente do surgimento de todas as coisas físicas a partir do nada”(2)
Para o ateu dizer que o Universo não tem uma causa, ele teria primeiro que dizer que ele não teve um começo, para isso teria que provar que a teoria do Big Bang é irracional.

Para P1: Tudo que começa a existir tem uma causa.
O argumento ateu para essa refutação é baseada na ignorância e confusão de termos, a fim de enganar os mais indoutos em filosofia.
Para refutar esse argumento, ateus dizem que bolhas quânticas surgem do nada e por isso tbm são sem causas, assim refutam em uma cajadada só um o argumento inteiro, pois afirmam com isso que o universo pode ter "facilmente" surgido do nada, sem causa alguma, ledo engano! Vamos esclarecer alguns conceitos:

"O QUE É O NADA?
- Ontologizando o nada:
Se não existia nada físico, então ou (1) o Universo emergiu de alguma substância não-física, de natureza ontológica, que existia naquele estado ou (2) o Universo surgiu a partir de absolutamente nada.
E é ESSE o maior erro dos neo-ateus nesse debate. Sendo DESTREINADOS em filosofia, neo-ateus e até mesmo alguns cientistas famosos começam a falar do ‘nada’ de uma forma ontológica (que é filosoficamente tola). O nada não é material e o nada também não é imaterial; o nada simplesmente não é. O nada absoluto é justamente aquilo que não tem NENHUM predicado positivo. Justamente por isso ele não é algo ontológico. O nada não é o ser de nenhuma forma; ele é simplesmente o não-ser. Muitas vezes neo-ateus surgem falando que “o Universo surgiu do nada” sugerindo que ele surgiu do vácuo quântico. O que eles falham em perceber é que o vácuo quântico é um ente cheio de características; ele não é um ‘nada’, mas um mar de energia flutuante dotada de uma rica estrutura e sujeita a leis físicas de diversas espécies. O próprio fato do vácuo quântico ser estudado pela Ciência demonstra que ele tem um caráter ontológico, pois assim como a Ciência não pode estudar o ‘não-cachorro’ ou ‘não-humano’, ela não pode estudar o ‘não-ser’. Nesse caso, absolutamente coisa alguma positiva poderia se falar dele. Só poderíamos negar as suas características. Essa é a verdadeira definição do nada.

No momento em que neo-ateus começam a dizer que, por exemplo, (a la Stephen Hawking) a lei da gravidade criou o Universo, ele está admitindo alguma substância ontológica é o estado do qual emergiu o Universo’, só discordando qual é a natureza dessa substância. Igualar “Lei da Gravidade” ou “Vácuo Quântico” com “Nada” seria simplesmente uma tolice."(3)

Explicado esse erro, e entendido o que é o nada, podemos passar para o próximo tópico.

(P3) O Universo tem uma causa
Para um melhor entendimento dessa explicação, sugiro que leia com atenção a frase da gravura.
"Um dos problemas de alguns “céticos” é aceitarem algumas limitações mas se recusarem a levar essas limitações até as últimas consequências. O exemplo da ‘Física Quântica’ e do ‘nada’ podem ser um bom exemplo disso. O exemplo a seguir foi sugerido, em essência, por Alexander Pruss.
Comece supondo que realmente algo pode surgir a partir do nada ou pode surgir sem causa, como o Gabriel ou qualquer ateu alega (chame isso de crença ‘FQ’). Nesse caso, não poderíamos fazer qualquer julgamento probabilístico sobre esses eventos ocorrerem ou não; afinal, se eles não surgem dentro de um estado anterior, sendo algo como uma causa sui, eles não tem nenhum tipo de restrição e acontecem aleatoriamente. A probabilidade está ligada justamente ao conceito oposto a esse, sendo impossível aplicá-la nesse caso.

E não podemos esquecer algo. Para o naturalista, nossas faculdades cognitivas (chama elas de ‘R’) seriam, possivelmente, algo como um evento neurofisiológico que opera nos termos da ontologia das coisas físicas. Mas dentro dessa estrutura neurofisiológica, TAMBÉM há um nível subatômico, nas quais as coisas podem acontecer sem razão e sem serem ligadas a nenhum estado anterior.

A partir daí, um novo cenário de ceticismo novo se torna completamente possível: se é possível que algo aconteça sem nenhuma razão e esse tipo de mecanismo está operando no seu cérebro, então seus estados de percepção gerados pelas suas faculdades cognitivas podem estar ocorrendo sem nenhum razão e sem causas anteriores. E você, como vimos antes, não pode fazer um julgamento sobre a probabilidade disso acontecer ou não. Dessa forma, você não pode confiar nas suas faculdades cognitivas,pois nunca terá capacidade de fazer um julgamento probabilístico para saber se é ou não o caso de elas estarem operando deterministicamente. Sempre poderá ser o caso de você ter surgido agora, a partir do nada, ou de suas impressões e raciocínios simplesmente estarem surgindo sem nenhum vínculo com a realidade externa.
Se você aceita a crença FQ, então você tem um motivo (ou um ‘defeater’) para não acreditar em R (suas faculdades cognitivas, que produzem o seu conhecimento). E esse defeater não pode ser derrotado de maneira alguma; qualquer contra-defeater para o defeater original teria que tomar a forma de um argumento, que necessita de R, o que seria pragmaticamente circular.

Mas qualquer um que tenha um defeater para R também tem um defeater para qualquer crença que tenha sido produzida por essas faculdades cognitivas – incluindo aí a própria crença que FQ. Então qualquer um que aceite FQ acaba gerando um defeater para si mesmo; portanto, essa posição acaba sendo auto-refutável da mesma forma que o demônio cartesiano e não pode ser racionalmente aceita. Se nós quisermos levar o ceticismo até o final, temos que aceitar essa conclusão; e a conclusão não nos permite aceitar a informação original. Portanto, é absolutamente irracional tomar essa posição.

O argumento pode ser construído dessa forma:
• 1. Estados ontológicos novos podem surgir a partir do nada ou sem explicação (chame isso de ‘FQ’);
• 2. Se estados novos podem surgir como em FQ, então não há como fazer um julgamento objetivo de probabilidade de eventos;
• 3. Se estados novos podem surgir a partir do nada ou sem explicação (FQ), então meus estados que emergem da minha faculdades cognitivas (R) também podem surgir a partir do nada ou sem explicação;
• 4. Se não há como fazer um julgamento sobre a confiabilidade de R dado ‘FQ’, então eu tenho um defeater para R;
• 5. Esse é um defeater que não pode ser derrotado de maneira alguma.
• 6. Alguém que tenha um defeater para R também tem um defeater para qualquer crença que R tenha produzido, incluindo FQ;
Logo,
• 7. A própria crença FQ tem um defeater e não pode ser racionalmente aceita."(4)

CONCLUSÃO

Como os argumentos estão devidamente rebatidos, o Argumento Cosmológico está devidamente de PÉ, sendo essa causa anterior e não causada, uma causa primeira, que seja atemporal, pois era antes do tempo(lembrando que antes não denomina tempo, mas a um estado fora do Universo não existente), eterno(sem princípio ou fim), por isso não precisa de causa, nem precisa ser criado.

Referências
(1)Barrow, J. D. and Tipler, F. (1986) The Anthropic Cosmological Principle. Oxford: Clarendon Press.
(2)“In the Beginning: In Conversation with Paul Davies and Philip Adams” (17 de Janeiro de 2002)
(3) "Física Quântica e o Nada x Argumento Cosmológico" Quebrando o encanto do neo-ateísmo.
(4) Ibid. 3

Por Francisco Tourinho

14 de janeiro de 2013

Filósofo Thomas Nagel lança livro questionando o darwinismo




"A Mente e o Cosmos: O Porquê do Conceito Neo-Darwiniano Naturalista da Natureza Ser Quase de Certeza Falso"

Esse é o nome do mais novo livro de Thomas Nagel, o filósofo. O evolucionista Jerry Coyne teceu um comentário mostrando-se assutado com a publicação do livro:

"Ficamos a saber agora que outro filósofo respeitado (Jerry Fodor foi o primeiro) saiu do armário e colocou-se também contra o neo-Darwinismo: o distinto filósofo Thomas Nagel está em vias de lançar o seu Mind and Cosmos: Why the Materialist Neo-Darwinian Concept of Nature is Almost Certainly False."

Seu autor é nada mais nada menos que o respeitado filósofo Thomas Nagel, o mesmo não é criacionista nem defensor do DI, curiosamente, Nagel é agnóstico, mas faz uma citação bem provocativa:

"Acredito que os defensores do DI merecem a nossa gratidão por desafiarem uma visão do mundo científica que deve alguma da paixão manifestada pelos seus aderentes precisamente pelo facto de se pensar que nos libertou da religião. Essa visão do mundo está pronta para ser substituída."


O livro poderá ser encontrado nesse link: 
http://www.amazon.com/gp/reader/0199919755/ref=sib_dp_pt#reader-link

Por Francisco Tourinho