27 de agosto de 2012

A Evolução Química e Sua Dificuldade Quanto ao Tempo

Nesse texto mostrarei um extrato do livro "Mostre-me Deus - O que dizem as mensagens do espaço a respeito de Deus" publicado pela Clio Editora, sendo Fred Heeren o autor,  no qual eu indico a leitura, e que traz um texto do Dr. David Mackay cientista da Universidade de Cambridge, vejamos o texto:

O Dr David Mackay¹, argumenta “ser desconfortável para qualquer evolucionista como as formas sofisticada de vida apareceram na terra tão logo as condições permitiram, aparentemente há 3,85 bilhões de anos, ou antes, o que se aproxima do tempo em que a Terra nasceu a partir do disco de matéria que circundava nosso Sol. Nosso sistema solar foi formado há cerca de 4,6 bilhões de anos. 

A Terra continuou a acumular matéria conforme limpava seu caminho de órbita por meio dos fragmentos, provavelmente atingindo seu tamanho atual há cerca de 4,2 bilhões de anos², por causa da frequência de impactos até aquela época as temperaturas no planeta eram altas demais para permitir a existência de água líquida. Depois disso, a Terra ainda foi bombardeada por planetésimos(asteróides) grandes o bastante para aniquilar qualquer forma de vida, cerca de uma vez a cada período de 1 milhão de anos (de acordo com cientistas que inferiram eventos na Terra a partir do registro mais óbvio de impactos na Lua)³. Isso continuou até há aproximadamente 4 bilhões de anos, e há cerca de 3,8 bilhões de anos, tais eventos ocorriam uma vez a cada período de 100 milhões de anos.4 Pesquisadores dizem que colisões mais devastadoras cessaram nessa época.

Isso nos remete, porém, ao tempo que cientistas afirmam que a vida já estava surgindo, uma vez que foi encontrada nos sedimentos mais antigos conhecidos da Terra. Novos estudos sobre as rochas mais antigas da Terra da Ilha Akilia, próxima à Groelândia, colocam organismos vivos dentro da época em que nosso planeta ainda estava sendo continuamente golpeado por asteroides, a 3,85 bilhões de anos5. Alguns desses impactos ainda eram grandes os suficientes para vaporizar a superfície de oceanos inteiros.6 Evidências para  vida terrestre foi trazida para bem próximo da época em que terra resfriou do seu estado fundido e, pela primeira vez, ofereceu uma atmosfera protetora da mortal radiação solar, sobrando pouco tempo para o que teria sido o maior estágio de evolução: o desenvolvimento da célula e seu código genético, microbiólogos dizem que o salto evolucionários de matéria inanimada para uma bactéria (contento o mesmo e complexo código genético humano) é pelo menos tão grande quanto o salto de uma bactéria para uma pessoa. Sabemos que de uma bactéria para uma pessoa levou 3,85 bilhões de anos. Então o que aconteceu em todo tempo que leva para ir de uma escória sem vida de um lago para uma bactéria? "

2-      Gerald F. Joyce, “The RNA World: Life Before DNA e Protein”, Extraterrestrials – Where Are They?, editado por Ben Zuckerman e Michael H. Hart, Segunda Edição (Cambridge, Inglaterra: Cambridge University Press, 1995), p.144
3-      Richard Monastersky, “Pursuing Life on TwoFrontiers – On Earth”, Science News, vol. 150(9 de novembro de 1996), p.292
4-      Stephen J. Mojzsis et al, Evidence for Life on Earth Before 3,800 Milin Years Ago” Nature, 384(7 de novembro de 1996), p. 57-58.
5-      Ibid.
6-      Ibid.






Por Francisco Tourinho

26 de agosto de 2012

A Relação entre Darwinismo e o Holocausto: Lado Obscuro que Ninguém Conta



Quando tratamos de darwinismo, muitas vezes nos centramos apenas nas descobertas científicas e no naturalismo e ainda na sua guerra contra alguns ramos religiosos mais conservadores tratando-o sempre como um avanço científico e social, quanto os religiosos são apresentados como vilões malvados e inimigos do progresso, mas nos esquecemos das influências darwinistas na filosofia social. O darwinismo tem como carro chefe a ideia da Seleção Natural. Seleção Natural é  “A sobrevivência e reprodução diferencial de organismos com características genéticas que lhes permitem utilizar melhor os recursos do meio ambiente” ( http://www.accessexcellence.org/AE/AEPC/WWC/1994/glossary.php) que nada mais é do que a sobrevivência do mais forte. Ao pensarmos nisso poderíamos imaginar que sendo a Seleção Natural um processo natural e podendo conhecer os seus mecanismos, poderíamos assim acelerá-la. Foi assim que Francis Galton pensou ao criar a Eugenia, que é “o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente.” ¹

O professor Francisco B. Assunção Jr², fala sobre o assunto da seguinte maneira:
“Quando pensamos no Holocausto, imediatamente vem-nos à mente a questão judaica e os horrores dos campos de concentração como se fossem frutos exclusivos e originários a partir da loucura Hitleriana. Entretanto, podemos pensá-lo a partir de uma teoria científica, de grande penetração durante a primeira metade do século XX, a Eugenia, que, embasada nas ideais de Darwin, inspira seu primo, Sir Francis Galton, a estudar a influência da hereditariedade sobre a inteligência, com o objetivo de melhoria da espécie humana. Em nome da ciência eugênica, em 1907, aprova-se uma lei de esterilização forçada nos EUA; sistemas de catalogação são estruturados visando identificar aqueles que seriam passíveis de se enquadrarem em um modelo de seleção, tais como deficientes mentais, alcoólatras e criminosos que, caso procriassem, piorariam a espécie.”

Isso não foi algo somente Hitleriano, em 1922, na Suécia, cria-se o Instituto de Biologia Racial que aprova medidas eugênicas que durarão até após a Segunda Guerra Mundial, e na Rússia stalinista, onde Hermann Mueller, descobridor de como os raios X afetam os cromossomos, buscou o apoio de Stalin para o processo eugênico.

Assim conceitos científicos são utilizados na política e após a subida de Hitler ao poder, o que justificava as loucuras de Hitler ao matar os considerados inferiores, pois esses a natureza eliminaria, deixando assim aqueles que melhor se adaptassem, em outras palavras: os mais fortes. Na procura pelo “super-homem ariano” os alemães e uma boa parte da população da Europa apoia as disparidades do Holocausto, o maior ato de crueldade de todos tempos.

Ao pensarmos bem, já que a natureza se encarrega de eliminar os mais fracos, ou menos adaptados, como queiram chamar, porque então devemos socorrer animais em extinção? Ou porque deveríamos lutar pela sobrevivência de deficientes físicos e mentais, ou pessoas com doenças genéticas em geral? Não seria isso contra a natureza? Não seria um desserviço aos processos naturais?

“Antes do advento dos nazistas no poder, mais de 20 institutos universitários para Higiene Racial já estavam estabelecidos na Alemanha. Mas, é sob a égide do partido nazista que, em junho de 1933, se estabelece a “Lei de Esterilização”, que propunha a esterilização daqueles que sofriam de doenças geneticamente determinadas - estima-se que, em sua decorrência, mais de 350 mil pessoas foram esterilizadas. É em outubro de 1939 que se determina a “morte misericordiosa” para pacientes considerados “incuráveis”- que numa primeira fase atingem mais 70 mil pacientes.”³

“É essa ideia de superioridade biológica de determinados indivíduos (sadios sobre doentes) e, consequente posteriormente, de determinadas nações (arianos sobre não arianos) que orientará a política nazista de expansão e extermínio.” 4


REFERÊNCIAS

1- José Roberto Goldim (1998). Eugenia . UFRGS. Página visitada em 2009-01-28.
2- Professor livre docente pela Faculdade de Medicina da USP, professor associado do Instituto de Psicologia da USP, coordenador do departamento de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da ABP, membro da Academia Paulista de Psicologia, citado na revista Holocausto: A estratégia de purificação racial de Hitler, Ed. Escala.
3- GJ Annas; MA Grodim. The Nazi Doctors ante the Nuremberg Code. Oxford University Press;1992
4- Ibid. 2


Por Francisco Tourinho

22 de fevereiro de 2012

DIDAQUE - INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS



Didaqué

Introdução

Didaqué significa "instrução" ou "doutrina". Trata-se de um escrito que data de fins do Séc. I de nossa era e, portanto, bem próximo dos escritos do Novo Testamento. O nome "Instrução dos Doze Apóstolos" lembra At 2,42 ("o ensinamento dos apóstolos"), mas é difícil que a obra tenha sido escrita por algum deles ou seja de um só autor. Os estudiosos hoje estão de acordo em dizer que ela é fruto da reunião de várias fontes escritas ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristas do Séc. 1. Os lugares mais prováveis de sua origem são a Palestina ou a Síria.

A Didaqué é um manual de religião ou, melhor dizendo, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos. Esse documento nos permite conhecer as origens do cristianismo, e principalmente nos dá uma ideia de como eram a iniciação cristã, as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades. O autor (ou autores) pertence ao meio judaico-cristão, e dirige seu ensinamento a comunidades formadas por convertidos vindos principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e do Novo Testamento, bem como outros escritos criados do séc. 1 d.C. O tom e os temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e diversos trechos dos evangelhos. Dessa forma, esse catecismo das comunidades da IgrejaPrimitiva é testemunho vivo de como os primeiros cristãos se alimentavam da Palavra de Deus contida nas Escrituras, transformando e interpretando os textos bíblicos em vista de suas necessidades e situações.

A leitura da Didaqué faz logo sentir que as comunidades cristãs daquele tempo ainda não estavam completamente estruturadas. As comunidades não têm representante oficial fixo (padre ou vigário), os bispos e diáconos são mencionados de passagem, e não sabemos bem quais funções exerciam. Fala-se diversas vezes em «apóstolos, profetas e mestres", dando a impressão de que eram propriamente pregadores itinerantes a serviço de diversas comunidades. Por outro lado, nota-se que a liturgia é também muito simples e se resume a celebrações feitas em clima doméstico. Os sacramentos mencionados pertencem à iniciação cristã - batismo, confissão, eucaristia e parecem ser todos administrados pela comunidade, e não por um membro do clero,ainda inexistente.

Visível, contudo, do clima que a comunidade vive, dentro de uma sociedade
estruturalmente pagã. A preocupação de não se confundir com o ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas (até mesmo disfarçados de profetas), a esperança um pouco nervosa de uma escatologia próxima e o tema da perseverança heróica no caminho da fé são características das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo sua vocação e missão no mundo.

A Didaqué é um convite para as comunidades cristãs em formação descobrirem sua origem e jovialidade próprias. Ela nos faz lembrar que a fonte inspiradora do comportamento, da oração e das celebrações é a Bíblia. Sobretudo, mostra que o cristianismo não é devoção individualista, mas um caminho comunitário em que todos os setores da vida e do comportamento devem ser penetrados pela Palavra de Deus e pela oração. Na sua simplicidade e profundidade, estimula a viver a vida cotidiana à luz do Evangelho vivo, dentro de um discernimento que frutifica em atos novos, geradores de fraternidade e partilha. Escrita principalmente para os pagãos (nações), ela ainda salienta que o cristianismo não é uma redoma onde a comunidade se refugia, mas um fermento que se expande para transformar toda a sociedade.
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DIDAQUE
INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS
Instrução do Senhor para as nações, por meio dos doze apóstolos
Traduzido para o português a partir do texto (em inglês) de
J. B. Lightfoot, Athena Data Products, 1990.


A. OS DOIS CAMINHOS
Capítulo 1

1- Existem dois caminhos: um é o caminho da vida, e outro, o da morte. A diferença entre os dois é grande.

Viver é amar

2 - O caminho da vida é este: Em primeiro lugar, ame a Deus, que criou você. Em segundo lugar, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça a outro nada daquilo que você não quer que façam a você.
3 - O ensinamento que deriva dessas palavras é o seguinte: Bendigam aqueles que os amaldiçoam e rezem por seus, inimigos, e ainda jejuem por aqueles que os perseguem. Com efeito, se vocês amam aqueles que os amam, que graça vocês merecem? Os pagãos não fazem o mesmo? Quanto a vocês, amem aqueles que os odeiam, e vocês não terão nenhum inimigo.

A violência do amor

4 - Não se deixe levar pelos impulsos instintivos. Se alguém lhe dá uma bofetada na face direita, ofereça-lhe também a outra face, e você será perfeito. Se alguém o força a acompanhá-lo pelo espaço de um quilômetro, acompanhe-o por dois; se alguém tira o seu manto, entregue-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que pertence a você, não a peça de volta, pois você não poderá fizer isso.


O amor de partilha

5 - Dê a quem pede a você e não peça para devolver, pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Feliz aquele que dá conforme o mandamento, porque será considerado inocente. Aí de quem recebe: se recebe por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão e interrogado sobre o que fez; e dai não sairá até que tenha devolvido o último centavo.
6 - A esse respeito, também foi dito: Que a sua esmola fique suando nas mãos, até que você saiba para quem a está dando.

Exigências do amor ao próximo
Capítulo 2

1 - O segundo mandamento da instrução é este:
2 - Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido.
3 - Não cobice os bens do próximo, não jure falso, nem preste falso testemunho. Não seja maledicente, nem vingativo.
4 - Não seja duplo no pensar e no falar, porque a duplicidade é armadilha mortal.
5 - Que a sua palavra não seja falsa ou vazia, mas se comprove na prática.
6 - Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.
7 - Não odeie a ninguém, mas corrija uns, reze por outros, e ainda ame aos outros, mais do que a si mesmo.

As raízes do mal e do bem
Capítulo 3

1 - Meu filho, procure evitar tudo o que é mau e tudo o que se pareça
com o mal.
2 - Não seja colérico, porque a ira conduz para a morte. Também não seja ciumento, nem briguento ou violento, porque os homicídios nascem de todas essas coisas.
3 - Meu filho, não seja cobiçoso de mulheres, porque a cobiça leva à fornicação. Evite falar obscenidades e olhar com malícia, pois os adultérios surgem de todas essas coisas.
4 - Meu filho, não seja dado à adivinhação, pois a adivinhação leva à idolatria. Também não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre essas coisas, pois de todas essas coisas provém a idolatria.
5 - Meu filho, não seja mentiroso, porque a mentira leva ao roubo. Não seja ávido de dinheiro, nem cobice a fama, porque os roubos nascem de todas essas coisas.
6 - Meu filho, não seja murmurador, porque a murmuração leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa, pois as blasfêmias nascem de todas essas coisas,
7 - Seja manso, porque os mansos receberão a terra como herança.
8 - Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranqüilo e bom, respeitando sempre as palavras que você tiver ouvido.
9 - Não se engrandeça a si mesmo, nem se entregue à insolência. Não se junte com os "grandes", mas converse com os justos e pobres.
10 - Aceite como boas as coisas que lhe acontecem, sabendo que nada acontece sem o consentimento de Deus.

A pessoa inserida na comunidade
Capítulo 4

1 - Meu filho, lembre-se dia e noite daquele que anuncia a palavra de Deus para você e honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois o Senhor está presente onde é anunciada a soberania do Senhor.
2 - Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis, para encontrar apoio nas palavras deles.
3 - Não provoque divisão. Pelo contrário, reconcilie aqueles que brigam entre si. Julgue de modo justo, corrigindo as culpas sem &zer diferença entre as pessoas.
4 - Não fique hesitando sobre o que vai ou não acontecer.
5 - Não seja como os que estendem a mão na hora de receber e a retiram na hora de dar.
6 - Se você ganha alguma coisa com o trabalho de suas mãos, ofereça-o como reparação por seus pecados.
7 - Não hesite em dar, nem dê reclamando, pois você sabe quem é o verdadeiro remunerador da sua recompensa.
8 - Não rejeite o necessitado. Divida tudo com o seu irmão, e não diga que são coisas suas. Se vocês estão unidos nas coisas que não morrem, tanto mais nas coisas perecíveis.
9 - Não se descuide de seu filho ou de sua filha; pelo contrário, instrua-os desde a infância no temor de Deus.
10 - Não dê ordens com rudeza ao seu servo ou à sua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que você, para que não percam o temor de Deus, que está acima de uns e outros. Com efeito, ele não virá chamar a pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.
11 - Quanto a vocês, servos, sejam submissos aos seus senhores, com respeito e reverência, como à imagem de Deus.
12 - Deteste toda hipocrisia e tudo o que não seja agradável ao Senhor.
13 - Não viole os mandamentos do Senhor. Guarde o que você recebeu, sem nada acrescentar ou tirar,
14 Confesse as suas faltas na reunião dos fiéis, e não comece a sua oração com má consciência. Este é o caminho da vida.

O caminho da morte
Capítulo 5

1 - O caminho da morte é este: Em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições:
homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, feitiçarias, rapinas, frisos testemunhos, hipocrisias, duplicidade de coração, fraude, orgulho, maldade, arrogância, avareza, conversa obscena, ciúme, insolência, altivez, ostentação e ausência de temor de Deus.
2 - Por esse caminho andam os perseguidores dos bons, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os que ignoram a recompensa da justiça, os que não desejam o bem nem o julgamento justo, os que não ficam atentos para o bem, mas para o mal. Deles está longe a calma e a paciência; são amantes das coisas vis, ávidos de recompensas, não se compadecem do pobre, não se importam com os atribulados, não reconhecem o seu Criador. São ainda assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam o necessitado, oprimem o aflito, defendem os ricos, são juizes injustos com os pobres e, por fim, são pecadores consumados.
Filhos, afastem-se de tudo isso.
Perfeição é servir ao Senhor

Capítulo 6

1 - Fique atento para que ninguém o afaste deste caminho da instrução, pois aquele ensinaria a você coisas que não pertencem a Deus.
2 - Se puder carregar todo o jugo do Senhor, você será perfeito. Se isso não for possível, faça o que puder.
3 - Quanto à comida, observe o que você puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos, porque esse é um culto a deuses mortos.

B. CELEBRAÇÃO DA VIDA
Capítulo 7
O batismo

1 - Quanto ao batismo, procedam assim: Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
2 - Se você não tem água corrente, batize em outra água; se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente.
3 - Na falta de uma e outra, derrame três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
4 - Antes do batismo, tanto aquele que batiza como aquele que vai ser batizado e se outros puderem também, observem o jejum. Aquele que vai ser batizado, você deverá ordenar jejum de um ou dois dias.

Capítulo 8
O jejum e a oração

1 - Que os jejuns de vocês não coincidam com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Vocês, porém, jejuem no quarto dia e no dia da preparação.
2 - Não rezem como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou no seu Evangelho.
Rezem assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia, perdoa a nossa divida, assim como também nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o poder e a glória para sempre".
3 - Rezem assim três vezes por dia.

Capítulo 9
A celebração eucarística

1 - Celebrem a Eucaristia deste modo:
2 - Digam primeiro sobre o câlice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre".
3 - Depois digam sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre.
4 - Do mesmo modo como este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas e depois recolhido para se tornar um, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu reino, porque tua é a glória e o poder, por meio de Jesus Cristo, para sempre".
5 - Ninguém coma nem beba da Eucaristia, se não tiver sido batizado em nome do Senhor, porque sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".

Capítulo 10
Agradecimento depois da eucaristia

1 - Depois de saciados, agradeçam deste modo:
2 - Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo Nome, que fizeste habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre.
3 - Tu, Senhor Todo-Poderoso, criaste todas as coisas por causa do teu Nome, e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espirituais, e uma vida eterna por meio do teu servo.
4 - Antes de tudo, nós te agradecemos porque és poderoso. A ti a glória para sempre.
5 - Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu reino que lhe preparaste, porque teu do poder e a glória para sempre.
6 - Que a tua graça venha, e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Quem é fiel, venha; quem não é fiel, converta-se. Maranatá, Amém."
7 - Deixem os profetas agradecer à vontade.

C. VIDA COMUNITÁRIA
Capítulo 11
Verdadeiros e falsos pregadores

1 - Se alguém vier até vocês ensinando tudo o que foi dito antes, deve ser acolhido.
2 - Mas se aquele que ensina for perverso e expuser outra doutrina para destruir, não lhe dêem atenção. Contudo, se ele ensina para estabelecer a justiça e o conhecimento do Senhor, vocês devem acolhê-lo como se fosse o Senhor.
3 - Quanto aos apóstolos e profetas, procedam conforme o princípio do Evangelho.
4 - Todo apóstolo que vem até vocês seja recebido como o Senhor.
5 - Ele não deverá ficar mais que um dia ou, se for necessário, mais outro. Se ficar por três dias, é um falso profeta.
6 - Ao partir, o apóstolo não deve levar nada, a não ser o pão necessário até o lugar em que for parar. Se pedir dinheiro, é um falso profeta.
7 - Não coloquem à prova nem julguem um profeta que em tudo fala sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.
8 - Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É assim que vocês reconhecerão o falso e o verdadeiro profeta.
9 - Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa, não deve comer dela. Caso contrário, trata-se de um friso profeta.
10 - Todo profeta que ensina a verdade, mas não pratica o que ensina, é um falso profeta.
11 - Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas não ensina a fazer como ele faz, não será julgado por vocês, Ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos profetas.
12 - Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Contudo, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.

Capítulo 12
Hospitalidade com discernimento

1- Acolham todo aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examinem para conhecêlo, pois vocês têm juízo para distinguir a esquerda da direita.
2 - Se o hóspede estiver de passagem, dêem-lhe ajuda no que puderem; entretanto, ele não permanecerá com vocês, a não ser por dois dias, ou três, se for necessário.
3 - Se quiser estabelecer-se com vocês e tiver uma profissão, então trabalhe para se sustentar.
4 - Se ele, porém, não tiver profissão, procedam conforme a prudência, para que um cristão não viva ociosamente entre vocês.
5 - Se ele não quiser aceitar isso, é um comerciante de Crista tenham cuidado com essa gente.

Capítulo 13
Sustentação do profeta

1 - Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se entre vocês é digno do seu alimento.
2 - Da mesma forma, também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como todo operário.
3 - Por isso, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê para os profetas, pois eles são os sumos sacerdotes de vocês.
4 - Se, porém, vocês não têm nenhum profeta, dêem aos pobres.
5 - Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.
6 - Da mesma forma, ao abrir uma vasilha de vinho ou de óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.
7 - Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê conforme o preceito.

Capítulo 14
A celebração dominical

1 - Reunam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro.
2 - Aquele que está de briga com seu companheiro, não poderá juntar-se a vocês antes de se ter reconciliado, para que o sacrifício que vocês oferecem não seja profanado.
3 - Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro, porque eu sou um grande rei, diz o Senhor, e o meu Nome é admirável entre as nações".

Capítulo 15
A vivência comunitária

 1 - Escolham para vocês bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles
devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados, porque eles também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.
2 - Não os desprezem, porque entre vocês eles têm a mesma dignidade que os profetas e mestres.
3 - Corrijam-se mutuamente, não com ódio, mas com paz, como vocês têm no Evangelho.
E ninguém fale com nenhuma pessoa que tenha ofendido próximo; que essa pessoa não escute nenhuma palavra de vocês, até que se tenha arrependido.
4 - Façam suas orações, esmolas e todas as ações, da forma que vocês têm no Evangelho de nosso Senhor.

D. PERSEVERAR ATE O FIM
Capítulo 16

1 - Vigiem sobre a vida de vocês. Não deixem que suas lâmpadas se apaguem, nem soltem o cinto dos rins, Fiquem preparados, porque vocês não sabem a que hora o Senhor nosso vai chegar.
2 - Reúnam-se com freqüência para procurar o que convém a vocês. Porque de nada lhes servirá todo o tempo que vocês viveram a fé, se no último momento vocês não estiverem perfeitos.
3 - De fato, nos últimos dias, os falsos profetas e os corruptores se multiplicarão, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se transformará em ódio.
4 - Crescendo a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente.
Então aparecerá o sedutor do mundo, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.
5 - Então toda criatura humana passará pela prova de fogo, e muitos ficarão
escandalizados e perecerão. Contudo, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.
6 - Então aparecerão os sinais da verdade. Primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos.
7 - Ressurreição sim, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá, e todos os santos estarão com ele".
8 - Então o mundo verá o Senhor vindo sobre as nuvens do céu.

Referência:
 STORNIOLO, I. BALANCIN, E. M. Didaqué – O catecismo dos primeiros cristão para as comunidades de hoje – São Paulo: Edições Paulinas, 1989.




Por Francisco Tourinho