14 de outubro de 2017

Anderson de Paula, adm da Arminianismo da Zoeira foge de debate com Francisco Tourinho

INTRODUÇÃO

Nesse artigo relatamos um conflito que tive com o dono da página Arminianismo da Zoeira, pois me posiciono contra tudo que é desonesto e mentiroso. O arminianismo é um ramo da teologia que é tão cristão como qualquer outro. Amo demais vários irmãos arminianos e meus melhores amigos na vida pessoal são arminianos. Minha luta é contra a página em si, pois propaga ódio, propaga mentiras a respeito de outros cristãos e eu sigo o lema de Lutero: "a paz se possível, a verdade a qualquer preço". E estou eu aqui na luta pela verdade! Não quero mostrar que o calvinismo está certo ou que esse é superior ao arminianismo, mas quero mostrar que não é verdade o que o Arminianismo da Zoeira fala a nosso respeito, pois são mentirosos, caluniadores e inimigos da verdade. Demonstro então mais uma das mentiras de Anderson de Paula, adm da Arminianismo da Zoeira.

MOTIVOS DO DESAFIO PARA O DEBATE

Anderson de Paula, dono da página Arminianismo da Zoeira, aquele que virou piada pronta para o Brasil inteiro, foi desafiado a um debate contra o dono deste blog, o mesmo fugiu, o que para mim não é um problema, já que sua última experiência com um calvinista foi traumática. Esse desafio lançado foi devido dois motivos:

1 - ele é um zombador de calvinistas, gostaria de saber se ele era tão bom nos estudos como é bom em zombar, embora o debate dele com o Rev Piacente tenha mostrado que ele é bom mesmo como zombador.

2 - Por causa desse post dele:



AS MENTIRAS

É óbvio que ele tá pagando um embuste, porque ao encontrar alguém que sabe argumentar olha só o que ele disse:



Atentai bem que ele me chama de Imbecil, e diz, mentirosamente que eu falo mal de pentecostais na net. Primeiro eu o desafio a mostrar quando foi que eu falei mal de pentecostais na internet, essa mentira deslavada só mostra o quanto ele estava desesperado em fugir do debate, e também mostra o seu caráter duvidoso, já que ele mente o tempo inteiro em sua página e destila ódio contra pessoas pelo seu credo, mais essa mentira confirma que ele é na verdade quem achamos ser. Como é que eu, sendo continuísta, falo mal de pentecostal? Pelo contrário, eu tenho dois administradores que são pentecostais e eu não sou cessacionista, como podem ver:





Então, depois de ter o debate negado, eu resolvi refutar um dos seus memes, que de tão bem refutado, ele apagou o comentário da garota que postou lá na sua página e ameaçou de banir a mesma. 


A menina Ana Paula já diz tudo, ele apagou meu post que estava nos comentários porque ele tinha sido refutado. O post é esse. 

Mas, como se não bastasse, hoje recebo em minha caixa mensagens uma justificativa dele para não debater com o autor desse blog. A justificativa é que esse autor fala palavrão. kkkkk O cara mente, também fala palavrão, cria uma página só para ofender o credo dos outros e eu é que sou o ímpio, nota só o nível desse cara que se diz pastor. Isso mesmo, pastor! 


Olha só, primeiro era porque eu falava de mal de pentecostal, como ele não conseguiu provar e ficou demonstrado sua mentira, ele mudou de foco dizendo que não debate comigo porque eu falo palavrão. kkkk Isso mesmo, eu falo palavrão e por isso sou ímpio, ele não, ele pode zombar da fé alheia, pode inventar mentiras dos seus opositores, pode ofender chamando de imbecil, mas o ímpio sou eu, porque ele no seu complexo de ungidão, é intocável, o pecado não vale contra ele. E sim, eu mandei um arminiano tomar no c*, mas não porque ele era arminiano, mas porque era um homem que queria submeter outro a força covardemente, vou explicar os motivos. infelizmente eu não tenho mais o print daquela conversa com esse arminiano, mas eu queria deixar claro que eu não o ofendi por causa do seu credo, como faz o Anderson de Paula, eu o ofendi porque ele me ameaçou caso eu não debatesse com ele, algo que eu não queria fazer. Só lembrando que eu não debato calvinismo vs arminianismo, a não ser debates organizados ou a pedidos, e raramente faço isso pelo facebook, já que tenho muitos afazeres. No entanto, eu tenho uma conversa com o ofendido inbox, em que posso provar que o que eu falo é verdade, que ele de fato me ameaçou e diante da ameaça dele eu o mandei pras cucuias, mandei como pai de família e como homem que não aceita ser ameaçado pro ninguém, porque ao invés do mentiroso e cultivador de ódio Anderson de Paula, eu não invento desculpas esfarrapadas para não debater, quando eu não quero, eu digo que não quero, e foi o que eu fiz, mas o ofendido na ocasião, me fez uma ameaça caso eu não debatesse com ele, então eu mandei ele tomar naquele lugar. Tá aqui os prints das conversas:


INCIDENTE INDESEJADO E O PEDIDO DE DESCULPAS


1 - Inicia-se ele lembrando que nós "debatemos" uma vez, eu digo que nunca debatemos. Notem meu posicionamento:


2 - Aqui ele diz que na verdade não me ameaçou, mas eu discordo.


3 - Agora eu relato o fato, como ele me ameaçou e o porquê daquilo ter acontecido. Também digo que não me orgulho disso e nos perdoamos como bons servos de Deus. 




Depois continuamos a falar sobre o trabalho apologético dele. 



CONCLUSÃO

Ficou demonstrado os métodos baixos e mentirosos utilizados por essa página de Zoeira para atingir seus objetivos. Já encontrei ateus muito mais honestos que eles.

 

Por Francisco Tourinho

13 de outubro de 2017

E as crianças reverendo? Pr. Dono da AZ, Anderson de Paula, após virar piada pronta em rede nacional, continua com seu show de desonestidades

INTRODUÇÃO

Vejam só esse vídeo: 



Anderson de Paula, administrador de uma página de facebook chamado Arminiamismo da Zoeira, (pasmem, esse é o nome da página de um pastor) tem como como hobby fazer piadas de mau gosto sobre calvinistas, criando todos os tipos de espantalhos e mentiras a respeito dos mesmos. Ironicamente, em seu primeiro debate em rede nacional, levou um chumbo de um calvinista e virou uma piada pronta para o Brasil todo, para nós vermos como Deus humilha os exaltados e exalta os humilhados, ele, que gosta de humilhar calvinistas com toda sorte de mentiras, foi humilhado em rede nacional virando uma piada pronta que não será esquecida tão cedo. Você pode conferir o debate inteiro aqui nesse link:
https://www.youtube.com/watch?v=BOptWFuafQ4&feature=youtu.be 

Agora, dado o dia 12 outubro, dia das crianças, o mesmo fez algumas postagens sobre a pergunta que o fez calar no debate – “E as crianças reverendo?”, mostrando claramente que essa pergunta está entalada no seu ser e que seu ego foi atingido ao se mostrar impotente diante daqueles que ele tanto humilha. Além de demonstrar uma total falta de conhecimento do que é o calvinismo, embora diga ler Calvino, o que eu pressuponho que seja mentira, já que confundiu todos os termos que poderia confundir durante o debate, também demonstrou uma falta de conhecimento de grego que ficou notória.

Agora, dando uma passeada pela página de zoeira administrada pelo pastor, pude notar mais uma de suas desonestidades, diante tantas, mas essa, em homenagem ao dia das crianças, eu irei responder. Veja o meme a seguir:



O primeiro ponto é que Calvino não estava a falar de crianças, mas dos homens que são perdidos, aqueles que por vontade própria se perdem, já que nascem com a natureza de Adão. Para Calvino, ou mesmo para os arminianos, parece que nem isso o Anderson de Paula sabe, o homem nasce totalmente depravado, e caso essa natureza não seja mudada, continuará perdido. Note bem, o homem não se perde, o homem mau continua perdido, pois ele não nasce bom e depois de perde, ele nasce mau e perdido. Como o homem nasce com a natureza corrompida de Adão, (sugiro a leitura dessetexto para melhor entendimento), então ele livremente fará somente aquilo que o levará a perdição, até que Deus o liberte, é isso que Calvino quis dizer, vamos a citação inteira:

“Venham todos os filhos de Adão; contendam e alterquem com seu Criador por que antes mesmo de serem gerados foram predestinados à perpétua miséria por sua eterna providência. Que poderão vociferar contra esta vindicação quando, em contrário, Deus os haverá de convocar ao exame de si próprios? Se de massa corrupta foram todos tomados, não é de admirar se estão sujeitos à condenação. Logo, não acusem falsamente a Deus de iniqüidade, se de seu eterno juízo foram destinados à morte, à qual são por sua própria natureza conduzidos por vontade própria, queiram ou não queiram, eles mesmos sentem. Do quê se faz evidente quão perversa é a afetação de vociferar contra Deus, porque suprimem, deliberadamente, a causa da condenação que em si são compelidos a reconhecer, para que o pretexto de Deus os livre. Com efeito, ainda que eu confesse cem vezes confesse ser Deus o autor de sua condenação – o que é mui verdadeiro –, entretanto, não se purificarão do pecado que está esculpido em suas consciências, e que a cada passo se apresenta ante seus olhos.”

Calvino várias vezes fala sobre a natureza dos filhos de Adão e como é impossível salvar-se por si só, o homem perdido livremente faz aquilo que o afasta de Deus. Isso é doutrina comum para os arminianos e calvinistas, mostrando que Anderson de Paula não conhece nem uma doutrina nem a outra. 


POSICIONAMENTO CALVINISTA SOBRE CRIANÇAS 

Agora vejamos qual é posicionamento dos calvinistas a respeito da salvação de crianças:

João Calvino diz:

"Não duvido de que as crianças que o Senhor reúne desde quando começaram a viver são regeneradas por uma operação oculta do Espírito Santo"
Fonte: Strong AH apud Calvino. Teologia Sistemática. Ed Rev e Ampl. Ed Hagnos.Vol 2. 2010. Pág 1171

João Calvino também diz:



Fonte: Revista Presbiteriana e Referências, 1890, pág 634-651. Citado pelo mesmo autor da teologia sistemática.

Spurgeon também diz:
"Dizemos, com relação às criancinhas, que as Escrituras falam muito pouco e, portanto, onde as Escrituras são confessadamente lacônicas, não cabe ao homem dogmatizar. Creio, porém, que falo por todo o nosso corpo, ou certamente com pouquíssimas exceções, as quais desconheço, quando digo que defendemos que todas as criancinhas são eleitas de Deus e, portanto, salvas, e encaramos isto como o meio pelo qual Cristo verá render o trabalho de sua alma, e às vezes temos esperança de que assim a multidão dos salvos poderá exceder a multidão dos perdidos. Quaisquer opiniões que nossos amigos tenham nesta questão, elas não estão necessariamente desligadas da doutrina calvinista. Creio que o Senhor Jesus, que disse: ―Das tais é o reino dos céus‖, diária e constantemente recebe em seus braços amorosos os pequeninos que mal nascem e já são levados ao céu."
Fonte: Spurgeon, exposição das doutrinas da graça, pág 11


ARMINIANOS SÃO INCOERENTES COM A SALVAÇÃO DAS CRIANÇAS

Agora se Anderson de Paula soubesse o que os arminianos pregam, já que não conhece o que os Calvinistas pregam, se for coerente com sua doutrina, saberá que é o arminianismo que lança crianças no inferno, não o contrário. Calvinistas constantemente são acusados de defenderem a condenação de crianças, mas não é verdade que eles pensam assim. A crença predominante é que todos os pequeninos que morrem crianças já nascem eleitos, como a eleição é INCONDICIONAL, então não há incoerência alguma em uma criança ser salva sem passar pelo processo de conversão. Já os acusadores (arminianos), acreditam que a eleição é CONDICIONAL, ou seja, Deus escolhe aqueles que o escolheu, assim, se eles defendem a salvação de crianças, terão que explicar como uma criança pode ser eleita se não pode escolher. E ao dizer que uma criança é salva sem ter feito nada para isso, eles estão afirmando que a eleição das crianças é incondicional, portanto, para salvar as crianças os arminianos abandonam sua crença, pois ela condenaria as crianças e se voltam ao calvinismo em sua eleição incondicional.


 CONCLUSÃO

Só resta uma das duas possibilidades - ou Anderson de Paula é leviano e mesmo conhecendo as doutrinas distorce o calvinismo para que possa difamar e levantar falso testemunho, ou ele não conhece nem o calvinismo nem o arminianismo e escreve e faz esses memes por ignorância. Eu prefiro ficar com a segunda opção, já que sendo ele um cristão, eu acredito que não estaria sendo leviado de propósito, mas que ele de fato não saiba o que ataca. Outro motivo para eu pensar assim, é que ele ma parecia de fato surpreso ao saber que estava distorcendo o calvinismo, e que aquilo que ele atacava não era o calvinismo, então acredito que ele apenas não compreende e assim replica essa falta de compreensão, espalhando a ignorância, mas seria pior se espalhasse também a desonestidade, que parece que, embora tenha um pouco, não é o carro chefe do seu blog. Deus abençoe o Anderson de Paula e que ele possa, algum dia, atacar algo sabendo o que está atacando.

Por Francisco Tourinho 

8 de outubro de 2017

Se Jesus é Onisciente e é Deus, por que Ele não sabia o dia e a hora de sua volta?

INTRODUÇÃO

            Em Marcos 13.32 está escrito: "Mas daquele dia ou daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão só o Pai."
            O versículo acima pode despertar a seguinte dúvida – sendo Jesus onisciente, ou seja, sabedor de todas as coisas, como poderia haver uma informação que ele não tivesse? A pergunta também pode ser feita da seguinte maneira – sendo Jesus Deus, e Deus é onisciente, como Jesus poderia não saber de alguma coisa? Responderemos esse aparente conflito nesse artigo.

1-      DEUS É ONISCIENTE

1.1 – Teísmo aberto

É importante falar sobre isso, porque embora o pensamento de que Deus é onisciente seja uma doutrina básica ao cristianismo, certas seitas ou alguns teólogos tem questionado a visão de que Deus seja onisciente, ou seja, que Ele saiba de todas as coisas, inclusive o futuro. Para alguns, como as Testemunhas de Jeová, Deus não é onisciente, Ele não sabe de todas as coisas, eles pregam uma espécie de "onisciência seletiva", onde Deus escolhe o que saber, pois ele não poderia ser escravo de suas virtudes, assim, tem acontecimentos, como os acontecimentos maus, que Deus escolhe não saber, dessa forma não se torna responsável de maneira alguma pelo ato mau, porque não saberia de tal acontecimento, embora pudesse sabê-lo, se quisesse. Como Deus faz para saber o que não saber já não sabendo pelo menos a natureza do acontecimento é uma pergunta pertinente a se fazer. Nessa visão, o homem constrói o futuro juntamente com Deus.
É importante ressaltar que embora a "onisciência seletiva" ensinada pelo Jeovistas sejam um tipo de Teísmo aberto, ele é diferente do teísmo aberto ensinado por teólogos cristãos. No teísmo aberto ensinado por alguns teólogos cristãos, Deus sabe de todas as coisas que é possível ele saber, como o futuro não existe e suas proposições não são verdadeiras nem falsas, então é impossível que Deus saiba o futuro. A grande alegação dos Teístas abertos é a negação quanto a transcedência de Deus ao tempo. Já as Testemunhas de Jeová acreditam que Deus transcenda ao tempo, mas incoerentemente ensinam que ele escolhe o que saber e o que não saber. Embora os dois neguem que Deus saiba todos os acontecimentos futuros, somente os teístas abertos cristãos negam a transcendência de Deus ao tempo.

1.2 Provas Escriturísticas da onisciência de Deus: diversos argumentos

Deus sabe de todas as coisas, está escrito que "Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4,13). Não há nada que Deus não saiba porque TUDO ESTÁ DESCOBERTO diante dele.

Em Salmos 139.16 está escrito:

"Cada uma de minhas ações vossos olhos viram, e todas elas foram escritas em vosso livro; cada dia de minha vida foi prefixado, desde antes que um só deles existisse."

            Em Isaías 46.10 diz: “[faz] conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá”.

O conhecimento exaustivo de Deus acerca de tudo inclui até nossos pensamentos e intenções: 

“O SENHOR vê os caminhos do homem e examina todos os seus passos” (Provérbios 5.21);

“o SENHOR conhece a motivação dos pensamentos” (1 Crônicas 28.9); 

“eu sou aquele que sonda mentes e corações, e retribuirei a cada um de vocês de acordo com as suas obras” (Apocalipse 2.23).

O fato de Deus ter criado o tempo, pois ele criou o universo e por isso criou o tempo, implica em dizer que ele é atemporal, sendo atemporal, não há para ele uma sucessão de eventos, não existe antes e depois para Deus, todos os eventos estão diante dele como um eterno presente, pois isso é que implica em ser eterno, eternidade não é tempo sem fim, mas um estado de atemporalidade que implica que todos os eventos estão diante dos olhos dele.

Também está escrito: “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17.28). Ou seja, estamos todos em Deus, como pode Deus não saber de algo que está Nele, se move Nele e existe Nele?

Outro ponto, é que se Deus não soubesse de algo, então algum homem poderia ter uma informação que Deus não tem, o que implicaria que Deus precisaria receber uma informação daquele homem para saber do fato acontecido, mas as escrituras dizem ser isso impossível, pois diz em Atos 17.25 que Deus “não é servido por mãos humanas, como se necessitasse de algo” e também Paulo pergunta em Romanos 8.35 "quem lhe deu primeiro a ele, para depois receber?" Ninguém pode dar nada a Deus, se Deus não sabe de algo, então ele pode receber a informação de alguém e portanto ser servido por mãos humanas pela necessidade de algo e, portanto, também receber algo do homem que ele não tem.

Se Deus pode não saber de algo, então ao saber da informação que ele não tinha, há um aumento de conhecimento em Deus e, portanto, uma variação em Deus. Mas Tiago diz que em Deus "não há variação" (Tiago 1.17) E se Deus pode aumentar conhecimento, então seu conhecimento não é perfeito, mas Jó diz que Deus tem “perfeito conhecimento” (Jó 37.16), então como o perfeito pode ainda ser melhorado ou como podemos adicionar algo ao perfeito?

Dado que mostramos vários argumentos que mostram a onisciência de Deus, seguiremos para responder a pergunta central do nosso artigo,  seguir. 

2 - SE JESUS É ONISCIENTE, PORQUE ELE NÃO SABIA O DIA E A HORA DE SUA VOLTA?

O Verbo ao se tornar homem, foi adicionado a ele uma natureza humana, ao mesmo tempo em que ele passou a ter alguns limites como humano, por exemplo Jesus teve que aprender a andar, falar, ele sentia dores, tinha necessidades fisiológicas, coisas que um anjo por exemplo não faz, se ele era maior que os anjos, então é notório que a sua glória estava limitada aqui na terra, como o texto do irmão Paulo claramente diz:

“o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” Filipenses 2:6-8

O exemplo de um anjo é de suma importância aqui, pois Testemunhas de Jeová negam que Jesus seja Deus, mas acreditam que ele seja um anjo, então ao provar que Jesus em sua natureza humana tinha necessidades que nem mesmo os anjos tinham, terão que concordar que Jesus de fato tinha sua natureza diminuída ou esvaziada. As Testemunhas de Jeová acreditam que Jesus é um anjo (arc-anjo = anjo chefe), então talvez ficasse melhor para entender a analogia. Por exemplo, supondo de que Jesus seja o arcanjo Miguel, como eles acreditam, o arcanjo Miguel não tem necessidades humanas, mas Jesus tinha necessidades humanas, porém Jesus não deixou de ser Miguel por conta disso, mas ele não tinha a mesma glória como Miguel aqui na terra do que quando não era humano ainda. A mesma analogia podemos usar para o Verbo.

Jesus nasceu como um humano normal, ele era Deus, mas a natureza divina dele era totalmente encubada, escondida, não manifestada e com o tempo a deidade de Jesus vai se manifestando e a sua glória como Verbo vai aparecendo aos poucos. Jesus também não tinha total consciência de que ele era Deus o tempo inteiro. Jesus tinha um cérebro humano e uma mente humana, é importante destacar que ele era 100% homem, assim a mente humana era a consciente e a mente divina era o subconsciente de Jesus, a psicologia explica isso muito bem, de como o subconsciente pode guiar nosso consciente, assim, Cristo demorou até atingir uma plenitude em que ele tivesse consciência de quem ele era e a natureza divina fosse manifestada ao ponto dele poder cumprir seu ministério.

Como funciona esse raciocínio? As escrituras endossam esse pensamento? A resposta é sim! Comparemos agora os textos:

"Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, pleno de graça e de verdade." João 1.14

 “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;”. Colossenses 2.9

O irmão João se refere ao Jesus adulto como PLENO DE GRAÇA e o irmão Paulo diz que nele habitava plenamente a divindade. Mas ao mesmo tempo ao se referir a Jesus quando criança o irmão Lucas (2.52), diz: "E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens." Como ele CRESCIA EM GRAÇA, se ele era cheio de graça e pleno de Deus? Isso se deve porque quando ele era criança, ele ainda não tinha a graça totalmente manifestada nele, foi preciso que Jesus, como qualquer humano, fosse desenvolvendo o seu relacionamento com o Pai até ele ter plena consciência de que ele era o Filho de Deus. Assim como Jesus teve que aprender a falar, andar ele teve que aprender a ter um relacionamento com o Pai, ter uma vida de oração, e o fato dele te que aprender algo, nos mostra claramente que tinham algumas informações que Jesus ignorava em sua humanidade.

                Essa ignorância era de suma importância para o ministério e obra sacrificial de Jesus, pois se Jesus soubesse de tudo o tempo inteiro, toda a sua passagem pelo mundo seria apenas um teatro. Jesus ignorando certas informações, fazia com que, como qualquer ser humano, estivesse entregue à dúvida, ao medo, e o forçou a ter uma vida de oração e fez com que tudo que ele disse e sofreu fosse real, totalmente real. Isso explica porque ele chorou quando Lázaro morreu, pois sentiu como humano, mas depois o lado divino se manifestou e ressuscitou Lázaro, certamente ele não teria chorado se já soubesse que poderia ressuscitá-lo, pois se chorasse seria um teatro, era necessário então que Jesus de fato não soubesse, em sua humanidade, que tinha poderes divinos até que sua mente divina se manifestasse. Outro exemplo é quando Ele pede pra o Pai afastar dele o cálice da morte mesmo que "teoricamente" ele já conhecesse o plano de Deus. Ele queria mudar o plano de Deus? Ou fraquejou de sua missão? Não! Mas na sua humanidade e no estado de desenvolvimento da graça naquele momento, o Pai o privava de certas informações, dado o seu esvaziamento, para que ele pudesse sentir as dores de um humano, como qualquer outro humano, com dúvidas, medo, abandono (Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?), Deus não abandona ninguém, mas Jesus se sentiu assim, dada as limitações de informações que seu esvaziamento impôs sobre ele. Por isso ele não sabia dia e hora e o Pai sabia. Assim, Jesus vai gradativamente recuperando a sua glória de Verbo que estará completa no último dia. Por exemplo, quando Jesus aparece ressurreto, ele atravessa paredes e já sabe de todas as coisas, Pedro diz para Jesus: "Senhor, eu sei que tu sabe de todas as coisas" (Jo 21.17), O fato de Jesus ter acolhido essa informação e não ter repreendido Pedro, mostra que essa informação é verdade, JESUS SABIA DE TODAS AS COISAS, mas somente depois de ressuscitado, quando estava glorificado e já tinha se livrado do corpo corrupto e estava no corpo transformado.

          Esse versículo, além de mostrar que Jesus era de fato onisciente, carrega com ele um problema para as Testemunhas de Jeová, pois os mesmos defendem que o Pai não sabe de todas as coisas, mas as Escrituras dizem que o Filho sabe de todas as coisas, então, se os Jeovistas tiverem corretos acerca da onisciência do Pai, automaticamente Jesus se torna maior que o Pai, já que Jesus sabe de todas as coisas, mas o Pai não sabe de todas as coisas. 


3 - ALGUMAS OBJEÇÕES

Uma das objeções é dizer que mesmo depois de glorificado Jesus não tinha todas as informações, pois em Ap 1.1 é dito “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer;”. Assim, deduz que se Jesus recebeu uma revelação de Deus, ele não sabia de tudo.
- Respondemos que ao utilizar Ap.1:1 para "negar" a onisciência de Jesus fica demonstrado o não entendimento do sentido do verbo "dar" nesse texto. O verbo "dar" não significa uma entrega de algo que ele não tinha, mas significa que o Pai deu essa tarefa ao Filho, a saber, de fazer a revelação de Deus conhecida a seu povo. No mesmo capítulo é dito para João escrever não só as coisas que vão acontecer no futuro, mas também das coisas que já aconteceram no passado, e as que agora estão acontecendo no presente, portanto a revelação incluía os três tempos, passado, presente e futuro -  Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer;” Ap 1.19. Agora raciocine comigo, como é que Jesus não sabia de algo que já tinha acontecido? Como ele não sabia do que estava acontecendo? Precisaria o Pai dar essas informações a Jesus, já que elas faziam parte da revelação entregue a Jesus? A conclusão óbvia é que a Jesus foi dado a tarefa de transmitir a revelação ao povo de Deus, não pode implicar em falta de conhecimento da parte de Jesus, isso diz respeito ao ministério de Cristo. Fazendo uma analogia, para melhor entendimento, seria como ter uma biblioteca em que todos os livros já foram lidos por duas pessoas, pelo chefe da biblioteca e pelo seu assistente, mas agora o chefe pega um dos livros e entrega (dar) esse livro para que o assistente revele seu conteúdo ao povo que ainda não leu esse livro, é nesse sentido que está a palavra “dar”, Deus deu a Jesus a revelação que ele deveria entregar ao Seu povo, isso não implica em dizer que Jesus já não sabia do conteúdo dessa revelação.

                Outra objeção é dizer que se Deus não pudesse se privar de sua onisciência, ele seria escravo de sua virtude.
- Respondemos que não há problema algum em Deus ser escravo Dele mesmo, por exemplo, Deus é Santo e ele não pode deixar de ser Santo, esse fato implica em algum demérito para Deus? Não! Se Deus deixar de ser santo ele deixa de ser quem Ele é, assim se ele deixar de conhecer algo, dado todos os argumentos que outrora foram demonstrados no começo desse artigo, Ele deixa de ser quem é. Portanto não há incongruência em Deus não poder deixar de ser onisciente, pois não é algo que Deus possa escolher, assim como Deus não escolhe ser santo, ele também não escolhe ser conhecedor de todas as coisas, é inerente a Ele.

CONCLUSÃO

                Damos por refutado o teísmo aberto e a onisciência seletiva Jeovista e respondido os questionamentos dos mesmos. Ficou claro e patente que Deus sabe de todas as coisas e que não há incongruência em Jesus ser Deus e ignorar certas informações quando estava na terra como humano.

Por Francisco Tourinho


2 de outubro de 2017

Conceito de Inspiração das Escrituras segundo Louis Berkhof



INTRODUÇÃO
Esse artigo é mais um da série "conceitos de inspiração das Escrituras". A ideia é mostrar os diferentes tipos de conceitos sobre a inspiração Bíblica e como isso reflete diretamente no modo como praticamos a nossa hermenêutica, ou seja, como fazemos a nossa exegese. Em artigos anteriores, deste blog, foi mostrada a visões dos teólogos AH Strong e de RN Champlin e agora, nesse artigo, a de Louis Berkhof. Três teólogos de peso, mas que entendem o sentido da inspiração das Escrituras de forma um pouco diferente. Ao estudante, fica a dica de fazer as três leituras, comparar as semelhanças e diferenças, estabelecer conceitos principais e adotar seu estilo de interpretação.
Nesse link também você poderá conhecer um resumo sobre a história da hermenêutica, baseado na obra "Princípios da Interpretação Bíblica" de Louis Berkhof.
 Assim, lendo a visão de três autores, mais alguns princípios de interpretação bíblica, que estão na exposição a seguir, e a história da hermenêutica, o estudante terá em suas mãos um minicurso de hermenêutica que será muito para válido para o teólogo iniciante.

Conceito de Inspiração das Escrituras segundo Louis Berkhof

Berkhof defende que a devemos ter em mente o que é Bíblia. Quanto a inspiração bíblica, o autor usa a confissão Belga no seu artigo terceiro, para mostrar o seu ponto de vista. Nessa confissão é declarada que a Bíblia é um livro sagrado, que não foi entregue por vontade humana, mas vontade de Deus, e que Deus como tem um cuidado especial pela nossa salvação, mandou que seus servos escrevessem o que foi revelado. A inspiração bíblica é o grande princípio que controla a Hermenêutica Sagrada. Esse princípio não pode ser ignorado de forma alguma, sob pena de ser inútil para o entendimento da Bíblia como Palavra de Deus. Berkof entende que a inspiração é: “a influência sobrenatural exercita pelo Espírito Santo sobre os escritores sagrados, em virtude da qual seus escritos receberam autenticidade divina e constituem uma regra infalível e suficiente de fé e prática”.
O autor continua falando sobre as provas escriturísticas da inspiração divina, onde ele apresenta várias provas dentre elas:
1-      Os judeus tinham uma coleção de escritos, tecnicamente designados he grafe (a Escritura), ou hai graphai (as Escrituras), citadas em Rm 9.17 e Lc 24.27, como tendo autoridade divina, para Cristo e seus discípulos, um apelo à he grafe era o fim de toda controvérsia. Seu “está escrito” era equivalente “ao Deus diz”.
2-      Há várias citações do Antigo Testamento no Novo Testamento que identificam Deus e a Escritura como os que falam. Em Hebreus 1.5-13, sete palavras do AT são citadas e ditas terem sido proferias pelo próprio Deus. Além disso em Rm 9.17 e Gl 2.8, as palavras do AT são citadas com a fórmula “a Escritura diz”, enquanto nas passagens citadas, Ex 9.16, Gn 22.18, Deus é o que fala.
3-      O locus clássicus para a interpretação da Bíblia é 2 Tm 3.16. No contexto imediatamente precedente, o apóstolo fala das vantagens de Timóteo ter recebido uma educação estritamente religiosa, tendo conhecido desde a infância as Sagradas Escrituras, isto é, o Antigo Testamento. E agora, no versículo 16, o apóstolo enfatiza a grande importância dessas Escrituras. Disso, segue-se que he graphe, também se refere ao Antigo Testamento como um todo. A palavra theo pneustos significa “soprado por Deus”, isto é, o produto do sopro criador de Deus. A palavra grega passa é interpretada por alguns como “toda” e por outros como “cada”. Portanto, alguns interpretam: “toda (cada) escritura é dada por inspiração de Deus, e útil etc; e outros: “toda (cada) Escritura dada por inspiração de Deus é também útil” etc.
4-      Outra passagem importante é 2 Pe 1.19-20, onde diz que em relação ao que se tinha tornado conhecido com relação ao poder e a volta do nosso Senhor, não se baseava em fábulas, mas na palavra de testemunhas oculares. Além desse testemunho, tem o testemunho da palavra profética, pois ela não era derivada de particular interpretação, não veio pela vontade do homem, mas da vontade de Deus.
5-      Ainda outra passagem de importância considerável é 1 Co 2.7-13. Paulo chama atenção para o fato de que a sabedoria de Deus, que estava oculta desde a eternidade, e que só o Espírito de Deus poderia conhecer, tinha sido revelada a ele. Ele diz: “Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito”
A Bíblia também sina que a inspiração também se estendia às palavras que foram usadas pelos escritores. O autor critica o fato de que muitas pessoas defendem uma inspiração parcial da Bíblia e negam a inspiração verbal, diz que esses, aceitam a inspiração só de pensamentos e não as palavras, ou só os assuntos pertinentes a fé e à vida, ou só as palavras de Jesus. Outro nome dado a “inspiração verbal”, é “inspiração plena”, pois o primeiro termo, pode sugerir uma inspiração mecânica das Escrituras, no entanto devemos entender uma direção sobrenatural do Espírito Santo estendida à própria escolha das palavras, uma vez que isso é certamente ensinado na Bíblia, tanto por declaração expressa como por implicação. Note a seguir:
1 – Em 1 Co 2.5, Paulo alega ensinar as coisas que foram reveladas pelo Espírito de Deus, “não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas em palavras ensinadas pelo Espírito de Deus”. Paulo assegura uma inspiração das palavras.
2 – Deus também diz a Jeremias: “Eis que ponho na tua boca as minhas palavras”. Note o cuidado que Deus teve quanto às palavras que Jeremias levou a revelação a Israel.
3 – De acordo om Jo 10.33, Jesus responde aos judeus apelando para as Escrituras, ao mesmo tempo que chama atenção para o fato de que as Escrituras não podem ser anuladas, mas tem autoridade incontestável. Desde que ele baseia seu argumento no uso de uma única palavra, está implícito que cada palavra tem autoridade divina.
4 – Em Gl 3.16, Paulo elabora todo o seu argumento no uso de um singular ao invés de um plural. Esse argumento do apóstolo tem sido atacado com base no fato de que a palavra hebraica a que ele se refere não pode ser usada no plural para denotar posteridade. Cf Gn 13.15. Mas isso não destrói a validade do seu argumento, uma vez que o escritor de Gênesis poderia ter usado outra palavra ou expressão no plural. E, mesmo que se o tivesse feito, a passagem ainda provaria que Paulo acreditava na inspiração das palavras individuais.
A relação entre o divino e o humano na autoria escriturística, segundo o autor só há uma resposta posta à luz dos dados da Escritura:
a)      Os autores humanos da Bíblia não foram meras máquinas, nem mesmo amanuenses. O Espírito Santo não os privou de sua liberdade, nem destruiu sua individualidade.
1 – Em muitos casos, os autores investigavam de antemão o assunto sobre o qual pretendiam escrever. Lucas nos diz no prefácio de seu Evangelho que havia feito isso; e os autores dos livros de Reis e Crônicas fazem uso de outras fontes.
2 – Os escritores, muitas vezes, expressão suas próprias experiências, com Moisés ao iniciar e concluir os capítulos de Deuteronômio, e Lucas na última metade do livro de Atos dos Apóstolos. Os salmistas cantavam sobre seus pecados pessoais.
3 – Muitos dos livros têm um caráter ocasional. Sua composição foi impelida por circunstâncias externas e seu caráter determinado pela condição moral e pelo status religioso dos leitores originais.
4 – Os muitos livros são caracterizados por uma diferença de estilo impressionante. Ao lado da poesia exaltada dos salmos e dos profetas, temos a prosa comum dos historiadores. Lado a lado com o hebraico puro de Isaías, temos a linguagem aramaica de Daniel, o estilo dialético de Paulo e também o estilo simples de João.
b)      É perfeitamente evidente que o Espírito Santo usou os escritores da Bíblia assim como eles eram, com todas as suas peculiaridades pessoais, no entanto, o Espírito Santo não permitiu que a natureza pecaminosa deles se expressasse.

Por fim o autor defende que devemos aceitar pela fé a doutrina da inspiração verbal, pois não há como entender totalmente o processo de inspiração.
O autor continua explanando sobre as objeções à doutrina da inspiração verbal ou plena. Uma vez que a doutrina inspiração verbal é algo devidamente bem estabelecido nas escrituras, qualquer ataque a ela, não deve ser considerada um ataque à sua verdade, mas consideradas como dificuldades para serem ajustadas a essa doutrina.
a)      A infalibilidade das Escrituras só é em relação aos autógrafos, não em relação às suas cópias, somente os originais são infalíveis, isso não quer dizer que os atuais sejam indignos de confiança, mas que onde há erros, não há a Palavra de Deus ali, outro detalhe importante, é que os erros são tão poucos, que não mudam doutrina alguma ou sentido das palavras de fato.
b)      Alguns exegetas e escritores hermenêuticos se opõem decididamente ao a priori da inspiração divina. Afirmam que um pressuposto que antecipa o resultado exegético é inadmissível.
O autor responde a essas objeções dizendo que:
1 – Nenhum interprete pode abandonar todos os pressupostos.
2 – O pressuposto de que a Bíblia é a palavra inspirada de Deus e, por essa razão tem autoridade divina, enquanto nos dá a garantia de que cada parte é verdadeira e não pode se contradizer, não determina como regra, a nossa exegese das passagens particulares.
3 – É notável o fato de que os que tem tais escrúpulos conscienciosos contra o pressuposto da inspiração divina em suas obras exegéticas são frequentemente controlados pelos pressupostos que determinam os resultados de suas interpretações a uma extensão muito maior do que a doutrina da inspiração o faria.
Os vários livros constituem uma unidade orgânica, não é uma unidade meramente mecânica, a bíblia não é como um relógio finamente ajustado, mas como uma árvore, ela produto de uma mente, ela não foi feita, ela cresceu.
a)      As passagens das escrituras que provam sua inspiração, apontam para o fato de que ela tem somente um autor primário.
b)      O conteúdo da Bíblia, apesar da sua variedade, revela uma unidade maravilhosa.
c)      O caráter progressivo da revelação de Deus é também uma prova efetiva da sua unidade.
d)     Todos os livros contém igual inspiração e isso também mostra sua unidade.
e)      Mais indiretamente, a unidade da Escritura é provada pelo significativo fato de que os autores do Novo Testamento, ao citarem o Antigo Testamento, ocasionalmente alteram, de alguma forma, as passagens citadas, ou aplicam-nas num sentido que não está aparente no Antigo Testamento. Isso dificilmente pode ser justificado, exceto pelo pressuposto de que o Espírito Santo é, em última análise, o autor de toda a Bíblia e, naturalmente, tinha o direito de citar e aplicar suas próprias palavras como bem lhe parecesse.
Juntamente com a unidade, no entanto, a Bíblia revela também a maioria diversidade, há várias distinções que devem ser mantidas em mente na interpretação das Escrituras.
a) A distinção entre Antigo e Novo Testamento, quanto ao conteúdo, forma e linguagem.
A Bíblia tem somente um sentido, e por isso é suscetível à investigação científica e lógica. Esse princípio deve ser aceito no lugar de aceitar um sentido múltiplo – pois essa tendência torna impossível qualquer ciência Hermenêutica, e abre as portas para todo tipo de interpretação arbitrária.
Deve-se manter que não importa quantos significados cada palavra em particular tenha, ela tem um único sentido. Se um homem confiável não se expressa com linguagem dúbia, quanto mais Deus que é a verdade absoluta.
A Igreja da Reforma, ao contrário da Igreja de Roma, defende que cada pessoa tem o direito de investigar e interpretar por si mesma, a Palavra de Deus. Embora seja verdade que o intérprete deve ser perfeitamente livre em seu trabalho, ele não deve confundir liberdade com licenciosidade. Ele é, de fato, livre de toda autoridade e restrições externas, mas não é livre das leis inerentes ao objeto de sua interpretação. Em todas as suas exposições, deve se prender ao que está escrito, e não tem o direito de atribuir seus pensamentos aos autores. A liberdade do interprete é também limitada pelo fato de que a Bíblia é a inspirada e, consequentemente, autoconsistente Palavra de Deus.
A bíblia foi escrita em linguagem humana e, consequentemente deve ser interpretada gramaticalmente em primeiro lugar. Devemos atentar para o uso atual das palavras, a bíblia é uma revelação progressiva, e o significado das palavras podem ter sido enriquecido com o decorrer do tempo, observar os sinônimos e antônimos, e também o significado das palavras em seu contexto. No uso das palavras em seu contexto o intérprete deve seguir os seguintes princípios:
1 – A linguagem da Escritura deve ser interpretada de acordo com seu significado gramatical; e o sentido de qualquer expressão, proposição ou declaração deve ser determinado pelas palavras usadas.
2 – Uma palavra pode ter apenas um significado fixo no contexto em que ocorre. Uma palavra pode ter vários significados, inclusive, significados contraditórios, nesse caso, não se deve aplicar todos os significados em um mesmo contexto, mas apenas um dos significados.
3 – Existem casos em que os vários significados de uma palavra são unidos tal forma que resultam numa unidade maior que não se choca com o princípio precedente. A) Algumas vezes uma palavra é usada no seu sentido mais geral a fim de incluir seus significados especiais, embora estes não sejam enfatizados. B) Há também, casos em que um significado especial de uma palavra inclui outro, o que não se choca com o propósito e o contexto da passagem em que se encontra. C) Às vezes, um autor usa uma palavra num sentido sugestivo, para indicar muito mais do que ela realmente expressa.
4 – Se uma palavra é usada no mesmo sentido mais do que uma vez, a suposição natural é de que ela tem o mesmo significado em toda parte. No entanto há exceções a essa regra, por exemplo Mt 8.22, 2 Co 5,21, mas nesses casos, o contexto é suficientemente claro para mostrar que as palavras não tem o mesmo significado.
O Uso figurado das palavras
As figuras de linguagem são chamadas de tropos. Os principais tropos são a metáfora, metonímia e a sinédoque.
Princípios úteis na interpretação da linguagem figurada
a)      É da maior importância que o intérprete tenha um conceito claro das coisas nas quais as figuras estão baseadas, ou de onde foram extraídas, uma vez que o uso de tropos é baseado em semelhanças ou relações.
b)      O intérprete deve ter o objetivo de descobrir a idéia principal, o tertius comparationis, sem dar muita importância aos detalhes.
c)      Com respeito à linguagem figurada que se refere a Deus e à ordem eterna das coisas, o intérprete deve ter em mente que ela geralmente oferece apenas uma expressão muito inadequada da perfeita realidade.
d)     O discernimento quanto às figuras da Bíblia pode ser testado, a um certo grau, pela tentativa de expressar os pensamentos que elas transmitem numa linguagem literal.
A própria Bíblia contém auxílio para a interpretação lógica do seu conteúdo e o intérprete não deve deixar de usar isso ao máximo.
INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA
            Pressupostos básicos para a interpretação histórica:
a)      A Palavra de Deus teve a sua origem de um modo histórico e consequentemente, só pode ser entendida à luz da História.
b)      Uma palavra nunca é completamente entendida até ser apreendida como palavra viva, isto é, originária da alma do autor.
c)      É impossível entender um autor e interpretar corretamente suas palavras sem que ele seja visto à luz da sua experiência histórica.
d)     O lugar, o tempo, as circunstâncias e a visão prevalecentes do mundo e da vida em geral irão naturalmente alterar os escritos produzidos sob essas condições de tempo, lugar circunstâncias.
Exigências ao exegeta:
a)      Ele deve buscar conhecer o autor cuja obra quer explicar;
b)      Será sua obrigação reconstruir, tanto quanto possível, a partir dos dados históricos disponíveis e com o auxílio das hipóteses históricas, o ambiente do qual os escritos particulares em consideração se originaram;
c)      Ele deve descobrir a importância extrema de se considerar as várias influencias que determinaram mais diretamente o caráter dos escritos em consideração;
d)     Além disso, ele deve se transferir mentalmente para o século 1º da nossa era e para as condições orientais.

Interpretação Teológica
            Muitos escritores acham que as interpretações gramatical e histórica preenchem todos os requerimentos para a interpretação adequada da Bíblia. Eles não consideram o caráter teológico especial dessa disciplina. A interpretação teológica expressa a necessidade de observar a parte da autoria divina, já que algumas partes da escritura não podem ser explicadas nem historicamente, nem teologicamente.


Por Francisco Tourinho


REFERÊNCIAS


BERKHOF, Louis; Princípios de interpretação bíblica. 2. Ed. Rev. São Paulo: Cultura Cristã. 2004.